Biofábrica volta às mudas
O Instituto Biofábrica de Cacau já pode distribuir aos cacauicultores, um lote de 34 dos 40 clones de cacaueiros tolerantes à vassourade-bruxa, que haviam sido multiplicados, mas foram embargados durante uma inspeção de fiscais doMinistério da Agricultura por falta de registro.
A informação é do chefe do Centro de Pesquisas do Cacau, Jonas Souza, reconhecendo a necessidade de agilizar processo de certificação do material genético, que tem importância comercial para os mercados nacional e internacional.
Segundo o diretor-geral da Biofábrica, Moacir Smith Lima, o embargo atingiu um milhão de mudas de cacau sem registro, que frustrou os produtores e deu prejuízo de R$ 1 milhão à Biofábrica.
Lima diz que todo produto vegetal oriundo de pesquisas tem que ser registrado no Serviço Nacional de Cultivares, da Secretaria de Apoio Rural e Cooperativismo do Ministério da Agricultura e certificado pelo órgão científico de pesquisa, no caso a Ceplac, para ser entregue ao produtor.
O registro equivale à certidão de nascimento dos clones desenvolvidos pelos pesquisadores do Cepec.
Para registrar variedade de cultivar ou clone, é necessário o cumprimento de exigências, como preenchimento de formulário com todas as informações da planta, desde nome científico e comum, denominação cultivar, responsabilidades técnica e institucional, origem, cruzamentos a genealogia.
Além disso, locais de avaliação, época de plantio, tipo de solo, clima, características morfológicas, biológicas e fisiológicas, compatibilidade, adaptação etc.
Lavoura
Jonas Souza, chefe do Cepec, justificou a distribuição dos 40 clones até agora desenvolvidos e ou testados pelos pesquisadores da Ceplac, desde 1998, antes das formalidades legais pela necessidade de se atender ao clamor da lavoura cacaueira diante da gravidade do ataque da vassourade-bruxa, que quase dizimou os cacauais baianos.
A rapidez na liberação de um grande número de materiais genéticos, explica ele, se deve às ferramentas da biologia molecular, que permitem aos pesquisadores identificar genes resistentes em tempo mais curto do que com os métodos tradicionais, que demandam dez ou mais anos de pesquisas e avaliações científicas.Dentre os clones distribuídos estão os cultivares TSH 516; TSH 565: TSH 774; TSH 1188; TSA 656: TSA 654; EET 397; CEPEC 42; CN51.Ainda, CCN 10; Cepec 2001; Cepec 2002; Cepec 2003; Cepec 2004; Cepec 2005; Cepec 2006; Cepec 2007; Cepec 2008; Cepec 2009; Cepec 2010; Cepec 2011; Ipiranga 1; PH 09; PH 16; PS 1319; RVID 08; SJ 02; VB 276 e VB 515.
Prejuízos
O embargo dos clones também acarretou prejuízo de R$ 1 milhão à Biofábrica. Sem esse dinheiro, o instituto atrasou salários dos servidores, que já estão sendo normalizados. Além desse problema técnico, o governo do Estado deixou de repassar recursos para a Biofábrica, depois que o Tribunal de Contas detectou irregularidade no 1º Contrato de Gestão, do governo passado.
O contrato funcionou com um aditivo, que ultrapassou o prazo estabelecido de 12 meses renováveis até o máximo de 60 meses.
“Nós tivemos que assinar o 2º Contrato de Gestão, no dia 1º de novembro, para regularizar a participação do Estado na manutenção do instituto”, ressalta Moacir Lima.
Após a aprovação, a Biofábrica vai apresentar um plano de trabalho, com metas de produção, para que o governo pague 70% das despesas e próprio instituto entre com uma contrapartida de 30%.
As primeiras metas são a produção de 200 mil mudas de cacau, 300 mil de essências florestais e outras 300 mil de fruteiras para serem distribuídas na região. Se o reparo técnico no laboratório de micropropagação, inaugurado ano passado, ficar pronto, poderão ser produzidas 400 mil mudas de bananeiras resistentes à sigatoka negra e amarela e ao mal de panamá, e mudas de abacaxi resistentes à fusariose.
Moacir Lima esclareceu que, apesar desses problemas, em nenhum momento as atividades foram paralisadas, porque a Biofábrica também trabalha na multiplicação de outras espécies vegetais, adquiridas de outros órgãos.
Apesar dos problemas , a Biofábrica também trabalha na multiplicação de outras espécies vegetais, adquiridas de outros órgãos. Essa movimentação gerou um faturamento em torno de R$ 600 mil. Só um contrato para a venda de mudas de pupunha rendeu R$ 400 mil.
No momento, está sendo preparado 1,3 milhão de mudas de fruteiras. Há projetos para produção de três milhões de mudas de seringueira, transformar 50 hectares de mandioca em 300 hectares de maniva (propagação do caule da mandioca) e produzir um milhão de mudas de palmito pupunha