Ações integradas previnem a monilíase do cacaueiro

04/12/2007

Ações integradas previnem a monilíase do cacaueiro

 

A realização de uma ação conjunta que envolve educação, defesa sanitária e pesquisa para evitar a chegada da monilíase à lavoura cacaueira no Sul da Bahia foi definida durante seminário realizado hoje (4), Universidade Estadual de Santa Cruz. O objetivo do evento, que reuniu dirigentes do Ministério da Agricultura (MDA), Secretaria de Agricultura (Seagri), Ceplac e produtores rurais, foi alertar a comunidade regional sobre os riscos da introdução da monilíase nos cacaueiros.
A doença, que já é endêmica em países como Equador, Peru e Colômbia, estes dois últimos com grandes áreas de fronteira com o Brasil, pode gerar perdas entre 50% e 100% na produção de cacau. O diretor-geral da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Altair Santana, destaca que o Brasil está livre da incidência da monilíase. “Nosso trabalho é de prevenção. Nesse sentido estamos mobilizando órgãos federais e estaduais e formando barreiras fito-sanitárias para evitar a chegada do fungo, cujos efeitos sobre a lavoura são mais danosos do que a vassoura-de-bruxa”, afirma.
Segundo ele, como o Sul da Bahia concentra 90% da produção nacional de cacau, a monilíase teria um efeito devastador na economia. Além dos trabalhos de prevenção e controle do fluxo de pessoas e veículos oriundos das áreas onde existe a doença. Santana defende a produção de clones de cacaueiros resistentes.  “Temos que nos antecipar a uma eventual incidência da monilíase, para evitar o que ocorreu com a vassoura-de-bruxa”, alerta.

Pesquisa

Para o diretor de Defesa Sanitária Vegetal da Adab, Cássio Peixoto, o trabalho passa por uma legislação que dê suporte às ações preventivas, programas de capacitação e educação sanitária, pesquisas realizadas pela Ceplac. “Temos que agir de forma articulada, porque se trata de uma doença que, embora não tenha chegado ao Brasil, está muito próxima nas regiões de fronteira no Norte do País”, adverte.
Na área de pesquisa, a Ceplac desenvolve intercâmbio com instituições da Colômbia e Equador. “Essa troca de informações permite a identificação de clones mais resistentes. Também mantemos material em quarentena, para estudar os genes existentes nas plantas e testar fungicidas para combater a monilíase”, diz o fitopatologista Antonio Zózimo Mattos, do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec).
 A preocupação com a monilíase atinge o setor industrial que atualmente importa 55% da matéria-prima para atender a demanda no parque moageiro de cacau no Distrito Industrial de Ilhéus. Laudecir Silva, presidente da Associação das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) diz que “as empresas estão dispostas a colaborar com as ações preventivas, já que precisamos ampliar a produção de cacau brasileiro, que mostra sinais de recuperação após décadas de retração provocadas pela vassoura-de-bruxa”. 
 
O que é

A moníliase é causada pelo fungo Moniliophthora roreri que infecta os frutos do cacaueiro em qualquer estado de desenvolvimento, principalmente aqueles com até 90 dias. O patógeno não ataca a parte aérea da planta como acontece com a vassoura-de-bruxa, mas seus danos econômicos variam entre países e regiões onde existe, já que fatores climáticos favorecem sua dispersão nas regiões mais quentes e úmidas, quando completa o ciclo com rapidez. Um fruto infectado pode produzir sete bilhões de esporos. O vento é o principal vetor de disseminação.

Ascom/Seagri
Daniel Thame/04.12.07