Clima reduziu safra de lichia

06/12/2007

Clima reduziu safra de lichia


A supersafra de lichia há três anos, em 2004, popularizou a fruta no Brasil, por causa das perfeitas condições climáticas (inverno definido e com dias de baixa temperatura). Com muita oferta no mercado, o preço ficou acessível para a maioria dos consumidores.
A caixa chegou a custar R$ 3,50 (de 480 gramas), três vezes menos do que em anos anteriores.
Em 2005 e 2006, entretanto, a produção foi menor. E não será este ano que a lichia voltará a ser tão popular quanto em 2004. "Será uma safra pequena. A queda na produção deve ser de 50% comparado ao ano passado", prevê o presidente da Associação dos Produtores de Lichia, Amauri Tadeu Peratelli.
Pelo terceiro ano consecutivo o clima foi o vilão. Para florescer bem, no outono, antes da florada, a planta precisa passar por um stress térmico, com alguns dias de baixa temperatura, em torno de 10 graus. O stress precisa ocorrer nesse período específico.
E ocorreu exatamente o contrário. "Choveu muito durante o mês de julho, o que atrapalhou o stress térmico de que a planta precisa. Em vez de frutificar, a gema vegetou", explica Peratelli. "Depois da chuva em excesso, houve um período longo de estiagem, o que piorou a situação." O clima foi instável em todas as regiões produtoras da fruta no Estado e por isso a expectativa é de produção baixa, novamente. Apesar disso, a qualidade da fruta que está chegando no mercado é boa. "As frutas estão doces e bonitas." Para o produtor Armando Prastelo, de Taquaritinga (SP), outro fator ainda afetou a produção este ano: a alta temperatura no inverno. "Em vez de frio, fez calor, o que causou abortamento das flores", destaca ele.
A expectativa para este ano, diz Prastelo, era produzir 100 toneladas da fruta, uma média razoável para o tamanho de seu pomar, que é de 1.200 pés de lichia. "A colheita começou na semana passada, não dá para saber ainda, mas pelos meus cálculos devo produzir apenas 10 toneladas", lamenta. "Em compensação, o preço está bem melhor." Realmente, com pouca oferta no mercado e a demanda crescente nesta época do ano, o produtor poderá compensar a queda da produção com preços mais altos. A caixa da fruta (de 3,5 quilos), na semana passada, era negociada entre R$ 40 e R$ 45, em média (preço pago ao produtor). No ano passado, lembra Peratelli, nesta mesma época do ano, a média era de R$ 16.