Preço do feijão tem alta de quase 80%

07/12/2007

Preço do feijão tem alta de quase 80%

 

O feijão, um dos principais itens da cesta básica do brasileiro, está virando artigo de luxo. Motivo: o preço nas alturas. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), somente em novembro, o produto registrou um aumento médio de 23,5%. Nos últimos seis meses, o reajuste acumulado alcança 79,78% – atingindo o maior  pico de alta desde a criação do Plano Real.

“Este aumento tem um peso absurdo no orçamento das famílias baianas”, diz  Ana Georgina Dias, supervisora técnica do Dieese, lembrando que o feijão foi o principal responsável pelo alta de 4,31% na cesta básica de novembro. Segundo ela, os aumentos  ocorrem porque as condições climáticas  derrubaram a safrinha de feijão de maio/junho, que serve como reposição da  safra principal do fim de ano e que também foi influenciada pela redução das  áreas de plantio. “A estiagem, além de prejudicar a safrinha, atrasou o plantio  da safra principal em dois meses”, explicou.

Nas principais redes de supermercado de Salvador, o quilo do feijão-carioquinha pode ser encontrado por inacreditáveis R$ 7,24. Segundo levantamento de A TARDE, o menor preço apurado  foi de R$ 4,22. As donas-de-casa, principais vítimas do reajuste, têm se desdobrado para não deixar de comprar o alimento.

A artesã Denise Jande diz que não vale a pena comprar o  feijão mais barato. “Você joga metade do pacote fora. A qualidade é muito ruim”, alerta. A dona-de-casa Rose de Jesus conta que consome  dois quilos do produto por mês e que, apesar de ter percebido o reajuste,  continua comprando normalmente. “Se eu comprasse muito, com certeza ia pesar. Mas pela quantidade pequena, eu preferi manter o consumo”, assinalou.  Já a dona-de-casa Cícera Maria,  que comprava em média oito quilos por mês,  tem optado por outros grãos e alimentos.  “Estou substituindo pelo arroz e pelas verduras”, diz Cícera.  

Feiras livres

 Com um pouquinho de paciência,  é possível fazer uma pequena economia. É que as principais feiras livres da cidade oferecem o produto bem mais em conta. Nas Sete Portas, o feijão é vendido entre R$ 3,50 e R$ 4,50. Em São Joaquim, o preço varia entre R$ 3 e R$ 4,20.

Mesmo vendendo bem mais barato que as grandes redes varejistas, os comerciantes reclamam da baixa procura pelo produto. “As vendas caíram pelo menos 40%. O consumidor está trocando o feijão pelo arroz e pelo macarrão”, diz  Antônio Marconi, feirante há três anos em São Joaquim. Nas feiras, é possível ainda encontrar o quilo do feijão por R$ 2. Mas não vale a pena se animar: os próprios comerciantes alertam que o produto é velho e de péssima qualidade. 

Produtor 

Em Irecê, principal  pólo produtor de feijão no Estado, a saca de 60 quilos do feijão  era comercializada, em janeiro,  por R$ 56,14. Em novembro, o preço saltou para  R$ 165,83, num aumento de 209% em relação ao mesmo mês do ano passado.