Projeções para o setor de máquinas agrícolas ficam ainda melhores

07/12/2007

Projeções para o setor de máquinas agrícolas ficam ainda melhores


Crescimento no próximo ano deverá aproximar o setor do desempenho obtido em 2004, o melhor da década, afirma Zago
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) elevou sua previsão de produção e vendas de máquinas agrícolas no país para 2007 e 2008. O aumento da renda no campo, a expectativa de uma nova safra recorde em 2007/08 e a maior demanda por equipamentos em segmentos como o de cana-de-açúcar ajudam a explicar a perspectiva mais otimista da entidade. 
A produção total em 2006, que foi de 46,1 mil unidades, deverá saltar para 63 mil unidades este ano, o que representará um crescimento de 36,7%. A estimativa anterior para 2007 era de 60 mil unidades. Para o próximo ano, a produção deverá atingir a marca de 69 mil unidades, volume superior à estimativa anterior da Anfavea, de 65,4 mil. Assim, em 2008, o setor deve repetir o desempenho registrado em 2004, o melhor da década. 
"A demanda está aquecida. Com exceção das colheitadeiras para algodão, que têm demanda de 300 máquinas por ano e, por isso, não justificam uma grande produção local, o mercado tem disponibilidade física para atender o aumento da demanda", diz Gilberto Zago, vice-presidente de máquinas agrícolas da Anfavea. A capacidade instalada da indústria fica atualmente entre 98 mil e 100 mil máquinas. 
As vendas no mercado interno deverão encerrar o ano com 37 mil unidades, volume 44% maior que o registrado em 2006 e superior também à estimativa anterior da Anfavea, de 36 mil unidades. Em 2008, prevê a entidade, o consumo deverá crescer outros 14,9%, para 42,5 mil. A perspectiva inicial era de 41,4 mil. 
"O momento é muito melhor. Em 2002, por exemplo, houve fábrica que não vendeu uma única colheitadeira para cana", afirma Zago. O mercado de colheitadeiras para as lavouras de cana-de-açúcar é de cerca de 800 unidades anuais. Para as próximos safras, a perspectiva é de aumento, principalmente em virtude do programa de eliminação, até 2014, da queima da palha de cana nas plantações paulistas. 
Os volumes de exportação também deverão crescer em comparação tanto com o desempenho do ano passado quanto com a estimativa anterior da entidade. O que não muda, por outro lado, é a perspectiva de estagnação dos embarques entre 2007 e 2008. Para este ano, em vez das 24 mil máquinas anteriormente previstas, a indústria deverá exportar 26 mil unidades - no ano passado, foram 22 mil máquinas vendidas ao exterior. Para 2008, a projeção é de exportação de 26,5 mil unidades. "Éramos um franco importador de máquinas há 30 anos e hoje somos um dos grandes players no mercado externo", diz Zago. 
Entre outubro e novembro, o número de empregos na indústria de máquinas agrícolas passou de 15.521 para 15.662. O segmento manteve, com isso, a fatia de 13% do total de trabalhadores na indústria automotiva, que chegou em novembro a quase 119,6 mil pessoas. A produção entre um mês e outro caiu 12,9%, mas o fenômeno explica-se pelo fato de o setor reduzir o ritmo no fim do ano, quando a safra está em fase final de plantio, argumenta o dirigente. Entre novembro de 2006 e o deste ano, as vendas no mercado interno cresceram 70,1%, para 3.689 unidades.