Formoso enfeita festa natalina do europeu

12/12/2007

Formoso enfeita festa natalina do europeu

 

A tradição é secular. Não se concebe uma ceia de Natal e fim de ano sem um multicolorido arranjo de frutas.
Dentre as variedades consideradas exóticas, aparecem as mangas brasileiras, que também vão enfeitar as ceias natalinas de franceses, portugueses, alemães, holandeses e ingleses.
Elas foram encomendadas e preparadas para atender à demanda de frutas para as festas de final de ano.
Na fazenda Rio Real, dona de um lote empresarial no Distrito de Irrigação Formoso, município de Bom Jesus da Lapa, oeste do Estado, tudo foi programado com antecedência, desde os produtos aplicados até a quantidade de água disponibilizada para as árvores. Para estar apta a ser comercializada ao mercado externo, a fruta necessariamente deve ter o acompanhamento de um técnico agrícola e um engenheiro agrônomo, que é quem assina o Certificado Fitossanitário (CFO).
Outros cuidados são exigidos, como a embalagem individual das frutas em papel para o transporte em caixas de plástico até a packing house.
Lá as frutas são lavadas, secas e enceradas. Depois são classificadas manualmente, antes de serem embaladas em caixas de papelão, sendo separadas por peso. Para viajarem até o porto e o destino final, seguem em contêineres, refrigerados a 8º C.
Há três anos, a empresa exporta mangas da variedade Tommy Atkins para a Europa. De acordo com seu proprietário, que também é prefeito de Bom Jesus da Lapa, Roberto Maia (PMDB), “este ano, com a viabilização de uma packing house dentro do distrito para o processamento obrigatório em frutas destinadas à exportação, ficaram mais fáceis os procedimentos para enviar frutas ao mercado externo”, diz.
Até o ano passado, ele enviava as mangas para a região de Juazeiro, a uma distância de 900 km, para o processamento das frutas, antes de seguirem em contêineres para o porto de Salvador.

ÁRABE – Apesar de o mercado europeu já conhecer a manga da Lapa há três anos e, em 2007, ter recebido 12 contêineres de 22 mil quilos, o mercado árabe foi conquistado recentemente e este ano comprou oito contêineres.
A viagem de navio dura 12 dias para a Europa, mais precisamente até o Porto de Roterdã (Holanda), e 21 dias para o Porto de Riad, na Arábia Saudita.
Uma curiosidade observada nesta produção e distribuição é que as frutas menores têm preferência no Oriente Médio e as maiores, na Velha Europa. “Desta forma, temos um maior aproveitamento, com menor índice de descarte”, frisa o gerente da Agrícola Rio Real, Alex Raffaelli.

SUCULENTAS – A uva também é uma das estrelas da temporada. Para a produtora de uva do Projeto de Irrigação Formoso, Elizabete Vellini de Morais e sua equipe, o período é de muito trabalho na colheita e embalagem das frutas. Eles estão colhendo uma safra de 50 mil quilos entre as variedades Itália e Benitaka para suprir parte do mercado de Brasília, onde são distribuídos pela rede Perboni e do mercado regional.
“As plantas vêm sendo preparadas desde 2006 para que as frutas estejam doces e suculentas nos dias de confraternização” diz ela, que também responde pela presidência do conselho administrativo do Distrito de Irrigação Formoso. Em todo o projeto, o cultivo da uva ocupa uma quantia pequena dos lotes, sendo a produção de manga e banana em grande escala dirigida aos mercados interno e externo.

COLHEITA – Elizabete cultiva três hectares de uva Itália e três de Benitaka há oito anos, e reclama do preço do pioneirismo: “Até hoje, pagamos esse custo pela baixa qualificação e disponibilidade de mão-de-obra, bem como dificuldade na aquisição de insumos específicos para a cultura, o que por vezes compromete nossa produtividade”, que é de 30 toneladas/ ano, com duas safras.