Preço de carne bovina dispara em Salvador

12/12/2007

Preço de carne bovina dispara em Salvador

 

Dois dos principais itens da dieta do brasileiro entraram em um ritmo de alta de preços que deve continuar pelo menos nos próximos quatro meses. As regiões produtoras de feijão e carne bovina na Bahia acompanham o comportamento de outros Estados brasileiros, com queda acentuada na produção causada pela seca. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o preço da carne bovina subiu 9,46% em novembro, enquanto o feijão teve alta de 23,50% na Região Metropolitana de Salvador.
A alta do preço da carne é explicada pela seca que atingiu o centrooeste do País. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária Bahia (Faeb), João Martins, aponta, ainda, um aumento no consumo de carne em todo o mundo.
“No Brasil, o consumo per capta era de 32 quilos ao ano, agora está em 42 quilos. Se as pessoas ganham mais, vão comprar carne. E há uma demanda grande em outros países, por conta disso a exportação da carne brasileira está destacada, mesmo com o dólar em baixa”, disse Martins.
Somente com a recuperação das pastagens, o que deve acontecer em no mínimo dois meses se as chuvas forem regulares, a oferta de gado voltará a crescer. “Os preços agora são imprevisíveis, mas já está chovendo bem em Itapetinga e outras regiões”, disse o presidente da Faeb. No acumulado deste ano, a alta no preço da carne já chega a acumular 15,29% Já o feijão registra alta acumulada de 64,95%. A frustração da safra de feijão é o motivo da alta do produto. Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostra que houve uma redução de 9,5% na área cultivada com feijão, o que representa 148,4 mil hectares no Brasil. A estimativa é que o País colha 37,8 mil toneladas a menos que na safra passada, 2006/07.
João Martins afirma que as áreas produtoras baianas atravessam uma crise. “Em Irecê, não se plantou nada, a safra foi horrível, porque as chuvas começaram tarde.
Adustina e Ribeira do Pombal produzem a safra de feijão no inverno, entre abril e junho, e não tiveram bons resultados, foi muito abaixo do esperado. As chuvas não vieram no tempo certo. Feijão é uma cultura sensível, tem que receber água no tempo certo, nem antes, nem depois. A situação é a mesma no Paraná e em Goiás”, comentou.
As perdas dos agricultores baianos com a seca ainda não foram calculadas e a explicação para tamanha instabilidade é tratar-se de uma agricultura muito vulnerável às condições do clima. A irrigação de uma cultura como o feijão é considerada inviável por conta do preço do produto. O preço da saca do feijão varia entre R$ 40 e R$ 50.
“Só poderíamos cogitar a irrigação se esse valor ficasse entre R$ 80 e R$ 90”, argumentou João Martins, destacando que as culturas nas quais é investida a irrigação na Bahia são café e frutas.
O levantamento mensal dos preços dos 12 itens básicos feito pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (Sei) também mostra aumento considerável no custo do feijão em novembro — 35% comparativamente a outubro. Considerando janeiro, o incremento do produto já chega a 87,5%.
De acordo com a coordenadora de pesquisa da Sei, Vânia Moreira, essa diferença refere-se aos problemas da safra, provocados pela seca, e à queda dos estoques.
“Acredito que em dezembro esse aumento não vai se repetir. O preço ou vai se estabilizar ou apresentar alguma queda”, analisa. “A diferença para o número do Dieese deve ser em razão de metodologia e diferença nas amostras”, explica a pesquisadora da Sei.