Unesp detecta adulterações no mel
Pesquisa realizada no câmpus de Botucatu (SP) analisou 61 amostras envasadas em 7 Estados, todas com o selo do SIF
Com o objetivo de testar a qualidade do mel vendido nas Regiões Sudeste e Sul do Brasil, o Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Botucatu, analisou, entre abril e novembro de 2007, 61 amostras de mel envasadas em 7 Estados brasileiros, comprados em supermercados e estabelecimentos comerciais e que possuíam selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF).
O resultado da análise, divulgado na primeira semana de novembro, aponta que, dos produtos avaliados, 11 apresentaram adulteração, utilizando açúcar comercial ou xarope de milho. O mel produzido em São Paulo foi o que apresentou o maior número de irregularidades. De 19 amostras, 6 estavam adulteradas, e 7, apesar de não serem totalmente puras, enquadravam-se nos níveis tolerados pelo método de análise utilizado pelo SIF.
A bióloga responsável pela pesquisa, Cibele de Souza, diz que utilizou a técnica de análise de isótopos de carbono para verificar a qualidade do mel. Segundo Cibele, a análise do SIF é menos eficaz, detecta menos adulterações do que a técnica adotada pela Unesp. 'A análise do carbono, que a União Européia também usa, pega pequenas adulterações.'
XAROPE DE AÇÚCAR
A pesquisadora acrescenta,porém, que o mel adulterado não prejudica a saúde do consumidor. 'O consumidor está sendo enganado, pois não está consumindo mel e sim um xarope composto de açúcar.'
Quanto aos demais Estados, os produtos analisados do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, seis ao todo, foram identificados como puros. Minas Gerais teve nove amostras analisadas e apenas uma estava com alto grau de adulteração. No Sul, sete amostras, do Paraná, não tiveram adulteração. Em Santa Catarina foram 11 produtos analisados e 2 estavam irregulares. No Rio Grande do Sul, de sete amostras, havia duas irregulares.
Os resultados serão encaminhados ao setor de Vigilância Sanitária da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp, para que sejam tomadas providências. Só então as marcas serão divulgadas.
Para o apicultor paulista e membro da Associação Paulista de Apicultores Criadores de Abelhas Melíficas Européias (Apacame), Julio de Oliveira, o resultado assusta. Ele recomenda comprar mel direto de apicultores. 'Muita gente compra mel de vendedores ambulantes e feiras livres, sem garantia nenhuma de procedência.'
ATENÇÃO
Para Oliveira, os órgãos fiscalizadores, no caso o SIF, devem ficar atentos, pois são responsáveis pelas pesquisas e os méis analisados possuíam o selo de inspeção. Oliveira produz 4.500 quilos de mel/ano.
Consultada sobre a pesquisa, a assessoria do Ministério da Agricultura, ao qual o SIF é subordinado, afirmou, por intermédio da fiscal federal agropecuária e médica veterinária Priscilla Bagnatari Rangel, que o Ministério aprovou o regulamento técnico de identidade e qualificação do mel, que estabelece os parâmetros físicos e químicos do produto e suas respectivas metodologias oficiais.
Conforme Priscilla, a metodologia de análise dos átomos de carbono 12 e 13, realizada nos méis de estabelecimentos sob inspeção federal, não é oficial.
INFORMAÇÕES: Unesp de Botucatu, tel. (0--14) 3815-1171