Atemóia e pomelo querem conquistar o nosso paladar
O Vale do São Francisco nos Estados da Bahia e Pernambuco é responsável já há algum tempo pela liderança na produção e exportação de manga e uva no País. A fruticultura irrigada tem gerado, nos últimos 27 anos, cultivo de diversas frutas, incluindo novos experimentos, como a atemóia e o pomelo.
Dados do Mercado do Produtor de Juazeiro garantem que a comercialização está aumentando.
Uma das que têm mais destaque e procura é a atemóia, fruta transgênica resultante do cruzamento da pinha com a cherimóia e que é cultivada em algumas regiões baianas há cinco anos. A cultura da atemóia faz parte de estudos que podem gerar ampliação da fruta que, aos poucos, vem garantindo espaço no mercado, assegurando seu lugar na preferência dos consumidores de outros países.
NEGÓCIOS – Além da atemóia, romã, carambola, graviola, umbu, serigüela, kiwi e lixia também são frutas que já vêm sendo cultivadas na região e conquistaram o paladar de apreciadores brasileiros e europeus. A comercialização da atemóia pelo Mercado do Produtor, quinto do País em volume de negócios, teve início há cerca de três anos, quando a venda era semanal e registrava uma média de 40 quilos da fruta.
“Hoje, os números ultrapassam os mil quilos”, segundo informações da comerciante Suely Xavier.
“Com a entrada da atemóia em substituição à conhecida pinha, as vendas estão garantidas para capitais nordestinas e grandes centros do Brasil”, adianta.
A esperança é que frutas como a atemóia ganhem espaço também nos mercados internacionais e consigam figurar no mesmo patamar de exportação que a manga e a uva, carros-chefe da fruticultura do Vale.
PRODUÇÃO – A exigência do mercado provoca um crescimento cada vez maior da produção de atemóia.
De acordo com a pesquisadora da Embrapa SemiAacute;rido Débora Costa Bastos, que trabalha na área de produção integrada de frutas e fruticultura, existem atualmente 35 hectares de área plantada e cadastrada no Vale do São Francisco, com produção de aproximadamente 25 toneladas por ano.
Essa produção deve crescer e aumentar os números do Mercado do Produtor, que chega a comercializar mensalmente até 80 mil toneladas de frutas.
A atemóia tem sido recebida com satisfação pelo consumidor e, segundo o coordenador do Mercado, Carlonito Dias, a demanda vem porque “a fruta é diferenciada em seu sabor e formato”. A região que tem solo e clima favoráveis ao cultivo, água e mão-de-obra especializada, gerando retorno comercial lucrativo. “O preço da caixa de 3 kg a 5 kg da atemóia é repassado, em média, para comerciantes de São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, de R$ 35 a R$ 40” afirma.
Nos dois boxes de Adilson Gonçalves no Mercado do Produtor, caixas com frutas vindas da Itália, Espanha, Chile e Argentina são as mais procuradas pelos compradores que vêem da Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão e Pará, que levam frutas como cereja, pêssego, kiwi e lixia.
Há 11 anos no mercado de comercialização de frutas, Gonçalves diz que “apenas 5% do que compra de frutas exóticas fica na região de Juazeiro e Petrolina, pois a maior parte dos compradores é de outros lugares”.