Indústria de rações eleva produção

17/12/2007

Indústria de rações eleva produção


 

As indústrias de ração animal pretendem superar a marca de 70 milhões de toneladas de produção no ano de 2010, volume mais que 30% maior que a produção estimada para este ano, de 53,5 milhões de toneladas. A meta, se atingida, aproximará o Brasil do volume atualmente produzido na China, de 72,5 milhões de toneladas, o terceiro maior do mundo. Estados Unidos, com 150 milhões, e União Européia, com 141 milhões de toneladas, lideram as estatísticas. 


O setor deverá fechar o ano com faturamento de US$ 10 bilhões, o que representa um avanço de 7,5% em comparação com os US$ 9,3 bilhões de 2006, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações). Aves e suínos, que representam a maior parte das vendas da indústria, crescerão, respectivamente, 10% e 8,1%, mas ganham força as vendas de ração para bovinos. O segmento deve fechar 2007 com 6,4 milhões de toneladas, volume 21,4% superior ao de 2006. 


Embora tenha comemorado o desempenho, o setor mostra-se preocupado com outros elos da cadeia. "O risco de crédito do pecuarista é preocupante. Os custos de produção estão subindo muito, mas o preço ao consumidor não tem sido repassado integralmente. Se o preço da arroba do boi cair e o reajuste dos preços for feito, esse risco de crédito vai crescer", diz Mario Sergio Cutait, presidente do Sindirações. 


A conta usual do setor diz que 70% do custo da ração é representado pelo milho, matéria-prima que encareceu em mais de 70% este ano - a ração representa outros 70% do gasto para a produção de aves e suínos. 


O custo de outros insumos cresceu ainda mais. O enxofre, por exemplo, que era negociado por US$ 60 por tonelada há dois anos, passou a US$ 250 por tonelada. "E já se projeta que o preço pode chegar a US$ 450 por tonelada", afirma Paulo Roberto da Silva, presidente da Associação Nacional das Indústrias de Fosfato para Alimentação Animal (Andifós). 


A indústria de rações está perto de concluir o projeto de união do setor na América Latina. O estatuto da Feed Latina, que representará todo o segmento na região, será assinado até o fim de janeiro, segundo o Sindirações. 


Argentina, México, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Cuba e Brasil já fazem parte da nova entidade. Somados, esses países produzem 110 milhões de toneladas de alimentação animal por ano, ou 85% da produção da América Latina. A Feed Latina que incrementar o lobby do setor com governos e órgãos internacionais. (Patrick Cruz)