FAO pode mostrar escassez de alimento mais grave em 2007

20/12/2007

FAO pode mostrar escassez de alimento mais grave em 2007

 

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação Animal (FAO) divulgou ontem documento no qual alerta para crise alimentar em 37 países. Segundo a entidade, o aumento nos preços dos alimentos, de 9% entre 2005 e 2006, explica parte do problema, juntamente com conflitos e desastres naturais. Uma situação ainda mais grave pode ser mostrada pela FAO com base no ano de 2007, quando a alta dos alimentos foi ainda mais aguda, avalia o economista Fábio Silveira, da RC Consultores. A soja, importante fonte de proteína vegetal no mundo, teve preços elevados em 67% em 2007, muito acima do aumento de 2006 (13,65%). O trigo também sofreu alta de suas cotações internacionais de 86% este ano, quase o dobro da ocorrida em 2006 (45%).
Segundo a FAO, entre os países da América Latina e Caribe, os mais afetados pela alta no preço dos alimentos seriam Equador, Honduras, Haiti e Nicarágua. No documento "Perspectivas de Colheitas e da Situação Alimentar" (Crop Prospects and Food Situation), a entidade estima que o custo total dos alimentos importados em 2007 pelos países de baixa renda seria 25% superior a 2006, atingindo mais de US$ 107 milhões.
"Os altos preços agrícolas são uma oportunidade para os pequenos agricultores. No entanto, precisamos de medidas para evitar que no curto e médio prazos a segurança alimentar das pessoas seja ameaçada", afirmou o representante regional da FAO para América Latina e Caribe, José Graziano da Silva. Na região, a alta dos preços agrícolas começa a aparecer nas taxas de inflação. Isto acontece porque os alimentos são um componente fundamental na estrutura dos índices de preços. Em países como Argentina, Brasil, Chile e México, corresponde a 20% ou 30% do índice.
A FAO pede que medidas imediatas em apoio aos países pobres sejam tomadas, entre elas a de reestabelecimento do cultivo nesses países. Um estudo será feito pela organização para identificar os determinantes da alta nos preços dos alimentos e seu impacto na segurança alimentar e nutricional da América Latina e Caribe.
A demanda mundial de cereais, por exemplo, subiu cerca de 8% entre 2000 e 2006, sobretudo pelo crescimento dos países em desenvolvimento, como Índia e China. As mudanças na demanda não foram compensadas por alterações na oferta. Há uma redução nos estoques de alimentos e a produção caiu 2,4% entre 2005 e 2006, principalmente por causa na diminuição da área plantada e fatores climáticos adversos.
Perspectiva 2008
Para 2008, espera-se uma desacelaração da alta dos alimentos, motivada pelo desaquecimento da economia norte-americana. Silveira, da RC Consultores, acredita em alta "discreta" nos preços dos grãos que, eventualmente, podem se converter em estabilização. "Quem sabe até retrocesso", completa o economista.
O fundamento está no tamanho da crise nos Estados Unidos, cujos efeitos sobre a economia mundial ainda não são conhecidos. "Há uma forte probabilidade de declínio dos preços agrícolas a partir do segundo semestre. Temos pela frente o enfraquecimento dos Estados Unidos, que pode se converter em recessão leve ou mais profunda", explica.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 6)(Fabiana Batista)