Medida não vai prejudicar exportações, diz ministro

21/12/2007

Medida não vai prejudicar exportações, diz ministro

 

O ministro da AGRICULTURA, Reinhold Stephanes, afirmou ontem que as novas restrições da União Européia para a carne brasileira não vão prejudicar as exportações do produto.

"Não vão prejudicar. Não há restrição sanitária. O Ministério da AGRICULTURA vai encaminhar, até 31 de janeiro, as localidades onde já existe rastreabilidade", afirmou o ministro.

O governo recebeu a informação oficialmente na tarde de ontem e técnicos do Ministério da AGRICULTURA e do Itamaraty discutiram as medidas que devem ser tomadas. Por ora, decidiu-se por um posicionamento político do ministério.

Em nota, a Secretaria de Defesa Agropecuária classificou a nova restrição como "arbitrária, desnecessária, desproporcional e injustificada à luz dos problemas identificados no sistema de rastreabilidade e da ausência de risco à saúde humana e animal".

Na avaliação de Marcus Vinícius Pratini de Moraes, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), o impacto das restrições, se existir, será "muito transitório".

Segundo ele, a experiência brasileira com medidas do tipo mostra que o efeito, tradicionalmente, é o aumento das exportações do produto brasileiro. "O Brasil é o único país que pode ofertar nos volumes, na qualidade e na sanidade requeridos pelos mercados", afirmou Pratini.

Em nota, a Abiec afirmou que a decisão da Comissão Européia "não altera substancialmente" as regras atuais para a exportação de carne fresca brasileira. Segundo a entidade, a exigência de mais controle sobre os animais destinados a abate para vendas externas já foi regulada pelo governo do Brasil por uma instrução normativa de julho de 2006.

Como conseqüência da medida, o presidente da associação de exportadores de carne prevê aumento dos preços da carne na União Européia. "Neste ano, até novembro, as exportações em dólares cresceram 14%, e, em volume, 4%. Isso deve continuar em 2008."

A estimativa da Abiec é que o Brasil exportará, neste ano, US$ 4,45 bilhões em carne bovina (no ano passado, foram US$ 3,92 bilhões). Em volume, foi 1,6 milhão de toneladas, ante 1,5 milhão no ano passado.

O volume de vendas para a União Européia representou, entre janeiro e novembro deste ano, 22% do total. No caso da receita com vendas, a UE, para onde o Brasil exporta principalmente carne de melhor qualidade, representou 32%.

Para Pratini, mercados como a Rússia, países do norte da África e do Sudeste Asiático são candidatos a absorver a demanda por esse tipo de carne. "Além disso [a oferta de carne de melhor qualidade], pode ir para o próprio mercado interno."

Segundo ele, em dois anos o consumo doméstico por carne crescerá o equivalente a toda a importação feita pela Europa.