Bovinos do oeste têm o DNA mapeado

26/12/2007

Bovinos do oeste têm o DNA mapeado

 

 

Bovinos da raça Nelore do oeste baiano, no total de 33, são os primeiros do Norte e Nordeste do Brasil a terem a leitura do DNA analisada através das ferramentas do Programa Igenity, que avalia cinco principais características econômicas, como maciez, sobrepeso ao ano, peso da carcaça, área de olho de lombo e espessura da gordura.
De acordo com o médico veterinário Francisco Lopes, o exame pode ser feito quando o animal nasce ou até mesmo no embrião.
“Quanto mais cedo, melhor para o produtor, que vai ter as particularidades deste bovino e saber se o animal é propício para o melhoramento do rebanho, pois tem no código genético dele esta informação”.
Para ter acesso a esta tecnologia, a Merial (empresa multinacional ligada à fabricação de produtos voltados aos animais) comprou o conhecimento de vários laboratórios que faziam análises isoladas e fez um pacote só.
Foram dez anos de pesquisas nos Estados Unidos antes de chegar ao Brasil e mais três anos em território brasileiro. Somente em julho a tecnologia foi disponibilizada ao mercado nacional.
“Para os Estados Unidos, onde a maioria do rebanho é da raça taurina (de origem européia), já existia esse programa”, afirma Francisco Lopes, dizendo que no Brasil, onde grande parte do rebanho é da raça zebuína (de origem indiana), o programa teve que ser adaptado. “Nós descobrimos que o zebuíno é praticamente uma outra espécie e que precisávamos nos aprofundar nos estudos. Como resultado, temos exames específicos para taurinos e para zebuínos”.

LUCRO – Dentre as principais vantagens do programa está o fato dele mostrar ao criador se o animal em questão é propenso a ter uma carne mais macia ou uma estrutura de gordura maior, bem como se vai acrescentar precocidade ao rebanho, se tem potencial para ganhar peso com mais facilidade ou atingir mais rapidamente a fase reprodutiva.
Outra característica importante, segundo Francisco Lopes, “é saber se o animal tem condição de transmitir suas particularidades aos descendentes, ou seja, de dar origem a animais com maior rendimento de carcaça (quantidade de carne que se tira do animal depois de abatido)”.
Para o pecuarista Antônio Balbino de Carvalho Neto, “a possibilidade do criador adquirir para seu plantel tourinhos com esse grande e preciso conjunto de informações, que a leitura do DNA disponibiliza, aumenta em muito as possibilidades de se obter resultados verdadeiros e positivos da genética dos animais”.

GANHO DE PESO – Oito pecuaristas do oeste da Bahia e do Tocantins tiveram animais classificados pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), nas categorias elite e superior, na Prova de Ganho de Peso em pasto, realizado pelo segundo ano consecutivo na Fazenda São Francisco, em Barreiras.
Nesta edição, obteve-se como ganho de peso médio geral da prova cerca de 691 gramas por cabeça/ dia, durante os 224 dias de avaliação dos animais. “Esse ganho em peso é animador, se for considerado que a média nacional não ultrapassa cerca de 300 g/cab/dia durante o ano”, frisa o coordenador técnico da PGP, médico veterinário Adriano Lupinacci.
O touro Nacional da CSI, da fazenda Agronol, foi classificado em primeiro lugar na categoria PO (Puro de Origem). Filho do touro Napoleão de Naviraí, ele teve um ganho médio de 844 g/dia. Na categoria LA (Livre Aberto), foi classificado em primeiro lugar o touro SVLA 972 G Bravo, da fazenda Gado Bravo, filho do touro Backup, com ganho médio de 853 g/dia.
“Além do gnho em peso, durante a prova são realizadas diversas avaliações nos animais com o objetivo de melhor compreender a curva de crescimento PECUÁRIA ❚ O gado Nelore é o primeiro do Norte e Nordeste que passará por leitura genética. Dentre as vantagens está o fato de criador avaliar se o animal é propenso a ter uma carne mais macia ou uma estrutura de gordura maior do animal neste tipo de ambiente”, diz Lupinacci, acrescentando que de forma complementar estes dados foram correlacionados com as informações de consumo de suplemento e desempenho individual, “sendo que os resultados têm se mostrado bastante coerentes”, finaliza.

REBANHO – De acordo com relatório divulgado pelo IBGE no início deste mês, o rebanho bovino nacional no final de 2006 era de 205,9 milhões de cabeças. E, conforme dados da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), 90% do rebanho brasileiro são zebuínos ou azebuados.
Pela fácil adaptação ao clima, a raça se alastrou por todos os Estados do País. Os maiores produtores são Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul e do Sudeste.
Ainda segundo a ABCZ, 80% da carne produzida no Brasil são da raça Nelore ou anelorado, caracterizados pelo porte médio a grande e pelagem clara (branca, cinza ou manchado de cinza).
A coleta do material para análise do DNA do Nelore é feita na própria fazenda. O processamento é realizado em São Paulo e as análises são enviadas para os Estados Unidos.
Entre 25 a 30 dias, a partir do momento em que as amostras chegam ao laboratório, o criador recebe os resultados. Mais informações sobre DNA bovino no site www.merial.com.br.