Ceplac alerta sobre doença que ataca coqueirais do sul

26/12/2007

Ceplac alerta sobre doença que ataca coqueirais do sul

 

Detectada há dez anos nos coqueirais do sul da Bahia, a resinose do coqueiro, presente em plantações litorâneas, pode causar danos econômicos à cultura desde os municípios de Valença, no baixo sul do Estado, a Teixeira de Freitas, no extremo sul baiano. A ocorrência deste fungo e a manifestação como doença foi registrada em 2004 e, desde então, tem se disseminado gradualmente aumentando o número de coqueiros infectados e de focos nas propriedades.

Em estudo, o engenheiro florestal José Inácio L. Moura e os fitopatologistas da Ceplac, Stela Dalva Vieira e José Luiz Bezerra, afirmam que os coqueiros são suscetíveis à enfermidade, mas os anões mostramse mais que híbridos e gigantes.

Provocada por um fungo, Thielaviopsis paradoxa, que entope os vasos condutores de seiva da planta, debilitando-a, a resinose já foi detectada em coqueirais desde Una a Caraívas (Porto Seguro). A maior incidência é nos plantios situados em tabuleiros costeiros, onde predominam os solos de baixa fertilidade. Sem condições de se nutrir, a planta morre aos poucos.

BESOURO – Segundo José Inácio Moura, o coqueiral infectado pela resinose libera uma substância que atrai os insetos, por isso o fungo está sempre associado ao ataque de um besouro, o Rhinostomus barbirostris, que também concorre para debilitar a planta.

Nesse intervalo de ataque do fungo, atrai o besouro, que coloca os ovos no tronco do coqueiro e começa a comer a parte interna dos vasos. “Após alguns meses, as folhas mais baixas do coqueiro começam a cair, ficam arreadas e a planta, praticamente morta”, explica o pesquisador.

Segundo pesquisas da Embrapa, o fungo envolvido com a resinose pode sobreviver por longos períodos no solo. Sobrevive nos restos de cultura em decomposição e pode causar infecção através de ferimentos e das fissuras naturais de crescimento do tronco. Disseminase através de insetos, do solo contaminado, e das ferramentas usadas na colheita ou na erradicação das plantas doentes e mortas. Também ocorre na bananeira, cana-de-açúcar, abacaxi e nas palmeiras.

NÍVEIS – Os pesquisadores estabeleceram quatro níveis de danos, para fazer o manejo de controle do inseto ou da doença. As medidas eficazes de controle da doença, segundo os pesquisadores da Ceplac, só existem nos estágios 2 e 3, mas ainda estão em fase de experimentos.

No nível 1, o tronco apresenta cor marrom, e há a liberação da resina. A parte superior fica muito estreita, as folhas pequenas, a copa achatada e as palhas arreadas.

Em alguns casos, as raízes sobem e rompem a casca.

A primeira coisa a fazer é verificar a coloração do tronco, a existência de ovos do inseto e se há serragem, para que seja aplicada pulverização com inseticida, entre as palhas e o tronco do coqueiro, para eliminar insetos adultos. A adoção de controles requer a participação de agrônomos para a aplicação de receituário com as dosagens adequadas de inseticida.

Coqueiros que apresentarem nível de dano 2 e 3 de resinose apresentam bom aspecto vegetativo, têm boa produtividade de frutos e boa distribuição de folhas. Recomendase pulverização com inseticidas nas axilas da planta com intuito de atingir adultos de R. barbirostris, que permanecem agregados durante o dia.

O inseticida não deve ser sistêmico e ter a propriedade de atuar por contato e gaseificação. Salientase, entretanto, que o uso de inseticida visa apenas ao controle do R. barbirostris, ou seja, não tem ação sobre fungo.