Missão: aprender a cultivar

26/12/2007

Missão: aprender a cultivar

 

Uma missão estrangeira, formada por 11 técnicos e engenheiros agrônomos da África e da Ásia, esteve no Brasil, em novembro, para participar do Terceiro Curso Internacional Sobre o Cultivo e Processamento da Mandioca para os Técnicos de Países Africanos de Língua Portuguesa (Palop) e do Timor Leste. O curso foi realizado pela Embrapa Mandioca e Fruticultura, de Cruz das Almas.
O objetivo da missão, integrada por moradores de países e ilhas cujas condições de clima e solo são semelhantes às do Brasil, foi buscar dados acerca do cultivo da raiz, cultura na qual a comunidade africana está investindo, e, também, de fécula e amido de mandioca.
Os participantes do curso visitaram roças de mandioca e uma casa de farinha na Fazenda Boa Vista, na localidade da Boa Vista, zona rural de Santo Antônio de Jesus (a 185 km de Salvador), que fabrica beijus, desde o tradicional de coco até os coloridos. O grupo trouxe representantes de Moçambique, Angola, Timor Leste, Guiné Bissau e das ilhas de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, cuja língua oficial é a portuguesa.

NOMES – Na Nigéria, “fiufiu”, em Moçambique, “matapa” e, em Angola, “quisaca”. No Brasil, mandioca, macaxeira ou aipim. “A mandioca seca é amassada. Depois mistura com água e faz uma goma.
Acompanhada com carne ou peixe”, a receita é do agrônomo Jamisse Amisse, de Moçambique.
Os integrantes da missão foram recebidos pelo pesquisador da Embrapa, Joselito da Silva Motta, especialista em produtos da mandioca e o responsável pela criação dos beijus coloridos, que hoje enriquecem o cardápio da merenda escolar nas redes municipais de ensino de várias escolas de municípios do interior do Estado.
Os beijus coloridos desenvolvidos por ele surgiram quando o pesquisador se deparou com uma paleta de beijus coloridos artificialmente.
“Foi só pensar nas possibilidades naturais de cor e usar estas opções no lugar da água que umedece o polvilho seco. Além de mais gostosos, são mais nutritivos”, conta o pesquisador.
O Recôncavo Baiano tem cerca de dois mil pequenos fabricantes de beijus. A Fazenda Boa Vista é pioneira na produção dos beijus coloridos. São beijus de abacaxi, beterraba, maracujá, açaí e goiaba.
“Além de verduras, podemos utilizar todos os tipos de frutas e verduras associadas ao beiju”, garante a beijuzeira Ana Lúcia Oliveira, da Fazenda Boa Vista.
Ela produz beijus há quatro anos e conta que quatro sacos de 25 kg de goma fazem 250 pacotes de beijus de 400 gramas. “A receita simples: é só transformar hortaliças e frutas em suco. A goma é a do beiju tradicional. Passando pela peneira, fica fininha e seca. Basta pôr suco e misturar. Em menos de um minuto ele fica pronto”, diz.

CULTIVO – Originária da América do Sul, a mandioca (Manihot esculenta Crantz) constitui um dos principais alimentos energéticos para cerca de 500 milhões de pessoas, sobretudo nos países em desenvolvimento, onde é cultivada em pequenas áreas com baixo nível tecnológico. A raiz é produzida em mais de 80 países, com produção de 170 milhões de toneladas/ ano, segundo dados da Embrapa Mandioca e Fruticultura.
Entre as tuberosas, perde apenas para a batata. A África é o maior produtor mundial, com 53,32%, seguido pela Ásia (28,08%), Américas (18,49%) e Oceania (0,11%). O Brasil é o maior produtor de mandioca do continente americano, com 15% da produção mundial.