Previsão de mercado firme para o boi

26/12/2007

Previsão de mercado firme para o boi


O mercado de boi termina o ano agitado em meio à decisão da União Européia de impor restrições à carne bovina brasileira, com a limitação do número de propriedades habilitadas a exportar para o bloco. À primeira vista, as restrições devem levar a uma valorização das cotações do boi nas fazendas que puderem exportar. Mas, na visão de analistas, a tendência para a safra é de preços mais altos que no ciclo passado para o boi de uma maneira geral em todo o país. 


"O boi vai ficar mais caro em 2008 e para a Europa, mais caro ainda", diz um especialista. Já Fabiano Tito Rosa, analista da Scot Consultoria, afirma que "a tendência é de preço firme com União Européia ou não". 


Ele projeta que a arroba do boi "dificilmente" ficará abaixo de R$ 65,00 (base São Paulo) na safra. Em janeiro deste ano, no início da safra passada, estava em R$ 54,00. 


Para José Vicente Ferraz, da AgraFNP, o preço deve ser um pouco mais alto, entre R$ 67,00 e R$ 68,00 a arroba. A razão para a expectativa de patamares mais elevados para o mercado de boi em 2008 é a mudança de ciclo provocada pelo abate de matrizes nos últimos anos (quando os preços estavam em baixa) que reduziu a oferta de animais para engorda. 


Apesar de as cotações terem recuado recentemente - por conta da maior oferta de animais de pasto -, Tito Rosa observa que os preços mais altas do boi nos últimos meses já estimulam a retenção de matrizes. "Os preços se recuperaram por isso os produtores voltarem a investir na atividade". Num primeiro momento, esse quadro favorece a valorização da arroba, mas no médio prazo significará mais oferta de animais. 


No início do mês, o boi chegou a alcançar entre R$ 78,00 e R$ 80,00 a arroba em São Paulo, mas recuou para R$ 71,00 a R$ 72,00 na última semana, indicam as consultorias. Segundo Ferraz, a concentração da oferta derrubou as cotações. 


Para ele, ainda não é possível estimar quanto o preço do boi destinado à UE vai subir. Mas, dependendo do tamanho da lista de fazendas habilitadas a exportar, "os preços vão subir muito", diz. Ferraz está entre os que defendem que o país deveria suspender as vendas de carne à UE se as exigências do bloco se mostrarem inviáveis. Numa carta ao governo brasileiro, a UE estimou que o Brasil só teria 300 fazendas em condições de atender suas demandas. 


Mas Tito Rosa observa que a UE tem um déficit de 600 mil toneladas de carne e que só o Brasil pode atender tamanho volume.(AAR)