Restrição seria maior que a atual área
São Paulo, No cenário de elevação de um grau Celsius na temperatura, a área apta ao cultivo de soja reduziria de 340 milhões de hectares para 310 milhões de hectares. A parte reduzida, de 30 milhões hectares, equivale a uma vez e meia a atual área plantada na SAFRA 2007/08 (21 milhões de hectares). O pesquisador de Mudanças Climáticas Globais da Embrapa, Giampaolo Queiroz Pellegrino explica que o problema afetaria, principalmente, o Sul do estado de Mato Grosso, o estado de Goiás e também o Rio Grande do Sul.
Neste ano, alguns municípios gaúchos foram considerados inaptos para o cultivo de soja no zoneamento agroclimático deste ano. Foram 69 municípios localizados no Sul e Noroeste do estado (Fronteira Sul e Missões), que há 15 anos vêm apresentando perdas médias de produtividade acima de 20%. A situação foi revertida depois de um embate entre o Mapa e a Federação da AGRICULTURA do Rio Grande do Sul (Farsul), explica o presidente da Comissão de AGRICULTURA da entidade, Jorge Rodrigues. "Esses municípios representavam 25% da área do estado. O Mapa estava usando critérios muito rígidos, com os quais não concordávamos", recorda Rodrigues.
O presidente da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), Elton Hamer, conta que em algumas regiões do Sul do estado vêm sendo registrado veranicos muito acentuados, que impactam na produtividade. "No entanto, não podemos relacionar essa condição ao aquecimento global. Até o momento, a consideramos ciclo natural", pondera Hamer.
Fruticultura
O cultivo de frutas de estação temperada - tais como nêspera, ameixa, pêssego, maçã e pêra - também será fortemente impactada, caso se confirme a projeção de elevação da temperatura em um grau Celsius. Pellegrino explica que, atualmente, as áreas aptas estão localizadas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e centro-sul do Paraná. "Com o clima mais quente, deixam de ser recomendas as regiões do oeste de Santa Catarina e oeste gaúcho, pois teriam menos horas de frio do que no necessário", explica.