Agricultura em plena metrópole

02/01/2008

Agricultura em plena metrópole

 

Prédios altos, casas amontoadas, trânsito caótico, poluição visível.

Em Salvador, este é um quadro bastante comum. Plantações? Pequenas hortas? Raridade. Mas esta situação tem mudado – pelo menos aos poucos.

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) disponibilizou, para 2008, mais de R$ 12 milhões para projetos da chamada Agricultura Urbana e Periurbana, realizada dentro das grandes cidades ou no entorno, voltada para pessoas vinculadas ao Fome Zero.

“Esse edital beneficiará 1.200 famílias de baixa renda. A gente deseja que elas tenham, em algum momento da vida, uma emancipação. A produção das hortas e das cozinhas comunitárias é voltada tanto para o autoconsumo como o excedente para comercialização”, explica João Augusto Freitas, coordenadorgeral de Apoio à Agricultura Urbana do MDS. Ele acrescenta que o programa apóia também os projetos de comercialização, feiras e mercados populares.

João Augusto lamenta que, apesar de Salvador possuir muitas experiências de agricultura urbana, não apresentou, no último edital, nenhum projeto.

No edital deste ano, contudo, Salvador foi agraciada. A Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Banto (Acbantu) foi beneficiada com R$ 342 mil e vai construir três hortas: uma no Terreiro do Caboclo Catimboiá, no Parque de São Bartolomeu; outra no Terreiro Mansu Dandalungua Kokuazenza, no Quilombo do Coqueiro Grande, Estrada Velha do Aeroporto; e a última em Simões Filho, no Terreiro Guerebetã Ojiominleci, localidade de Mapele.

Os recursos do MDS também servirão para construir cozinhas comunitárias, onde serão processados os produtos das hortas. As cozinhas ficarão no Terreiro Mansun Bandum Kuê Kuê de Inkinansaba Filho, em Cajazeiras XI; Terreiro Angurusena Dya Nzambi, no município de São Francisco do Conde; e no Terreiro Ilê Axé Ifaybalé Jakolé, no Quilombo Terra Vermelha, município de Cachoeira. De acordo com Raimundo Konmannanjy, presidente da Acbanto, os materiais para começar as hortas e cozinhas já foram comprados e começam a ser instalados em janeiro. “A nossa comunidade tem vocação para agricultura, pesca, artesanato.

Mas tomaram nossas terras e ficamos sem plantar”, conta Raimundo.

Ele calcula que cerca de 200 pessoas devem ser beneficiadas – da comunidade dos próprios terreiros e do entorno.

PROJETO PILOTO – Lauro de Freitas, também na Região Metropolitana de Salvador, participou do último edital, apesar de ainda não ter recebido os recursos.

De acordo com Lourdes Lobo, secretária do Trabalho, Assistência Social e Cidadania do município, o valor deve chegar até hoje. "Já tínhamos uma hortaescola montada, com um projeto piloto para qualificação dos trabalhadores rurais”, conta.

A horta atual está montada em um espaço da prefeitura que estava ocioso – este é um dos objetivos do programa. A nova horta ocupará uma área de dez mil metros quadrados. A perspectiva é que, a cada três meses, 20 pessoas sejam capacitadas – “gente que recebe o Bolsa Família e demonstra vocação para lidar com a terra e tem um pedaço de terra.

Compraremos o excedente da produção”, finaliza a secretária.

O projeto, que recebeu R$ 300 mil, atenderá 120 pessoas e vai até maio de 2009. Os produtores receberão insumos, apoio técnico, alimentação e ficarão habilitados para receber recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar.