Clima seco eleva preço da arroba em Itapetinga
*Sem chuvas desde o começo do ano, a região agropastoril de Itapetinga, a 590 km de Salvador, perdeu mais de 70% das pastagens – que fez disparar o preço da arroba do boi de R$ 54 para R$ 75 nos últimos dois meses.
No mês passado, voltou a chover na região, mas a recuperação dos pastos degradados há nove meses só deve acontecer em março de 2008. Mesmo assim, a expectativa é de queda nos preços da carne.
Alguns pecuaristas rejeitam o retrocesso, resistem e defendem novo aumento, em torno de 30%, elegendo como novos vilões o custo da mão-de-obra e o sal mineral. Tomando como exemplo a picanha, peça nobre e indispensável num bom churrasco, o consumidor final não entende o tamanho do “apetite” dos criadores. Do fornecedor até a mesa do consumidor, o quilo da carne sofre variação de 100%. O percentual vale para a carne produzida em Itapetinga e comercializada em Vitória da Conquista.
São apenas 100 quilômetros que fazem o preço subir de R$ 9 para R$ 18 o quilo. “Eu acredito que o preço da picanha caia em janeiro. Essa alta acontece mesmo em dezembro, quando muita gente faz churrasco e a procura aumenta muita”, lembra o açougueiro Salatiel Brito.
Para tentar justificar a manutenção dos atuais preços da arroba, os fazendeiros sustentam que o sal mineral, um dos suplementos alimentares indispensáveis para ganho de peso peso do rebanho, tem que ser administrado o ano inteiro e com maior intensidade no período de estiagem prolongada, quando há falta de alimentação para o rebanho.
A conta foi diretamente transferida para o consumidor final, com o preço médio da carne bovina registrando aumento médio em torno de 16,4% nos açougues e supermercados.
Com a chegada das chuvas, os pecuaristas de Itapetinga contemplam a rebrota do pasto num dos solos mais férteis do País. “Mesmo com esse aumento, o preço da arroba ainda não é compensador”, dispara o criador Douglas Brito, sustentando sua defesa por meio de custeio com folha funcional e insumos. “Se você colocar na ponta do lápis, desiste da atividade, porque a gente ainda está perdendo, em média, de 20% a 30%”, alega.