Boas perspectivas nos assentamentos

07/01/2008

Boas perspectivas nos assentamentos

 

Os pequenos e vermelhos frutos do guaranazeiro são bonitos de se ver, são saborosos ao paladar, mas, no baixo sul do Estado, eles têm pouca saída, segundo depoimentos de agricultores familiares da região que lidam com esta cultura.

A comercialização é feita na maioria das vezes por atravessadores, e os preços não obedecem ao princípio lógico da oferta e da procura. Em 2006, o quilo do guaraná era vendido a R$ 17; no ano passado, ficou entre R$ 8 e R$ 12. Na avaliação do produtor Pedro Azevedo, a tendência é cair, com o mercado local sem muita opção para venda, o que tem levado agricultores a abandonarem as plantações.


“A produção cresce rapidamente, e os gastos com os tratos culturais são altos, de modo que os preços não cobrem o custo.
Além disso, o quilo do guaraná passou 10 anos abaixo do preço de custo, sempre regulado pela indústria de refrigerantes”, lamenta Pedro Azevedo.


Mas a situação tende a se alterar, com a instalação de uma fábrica de beneficiamento e processamento de guaraná no município de Nilo Peçanha, a 289 quilômetros de Salvador.


As perspectivas são promissoras para cerca de cinco mil agricultores familiares, assentados e quilombolas da região.
“Com esta fábrica, poderemos agregar valor ao produto, já que o grão será processado”, comemora o produtor, que investe firme na cultura do guaraná em 13 hectares plantados.


O empreendimento agregará cerca de 80% de valor ao fruto do guaraná, que é cultivado em 14 municípios do baixo sul. Esta produção, segundo a Agência de Assessoria e Comercialização da Agricultura Familiar da Bahia (Aacaf), entidade que representa os empreendimentos dos produtores familiares no baixo sul, vai processar 30% do guaraná cultivado no Estado.


“A idéia é agregar valor e ampliar a renda do agricultor familiar, fazendo com que a produção se aproxime do consumidor final e elimine o atravessador, conseguindo alcançar vários nichos novos de mercado”, diz Pedro Azevedo, também diretor administrativo da Aacaf.

ASSENTAMENTOS – Ao todo, são seis projetos de assentamento, os chamados PAs, com 275 famílias participando do empreendimento. A Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na Bahia está impulsionando a implantação de uma fábrica semelhante no município de Taperoá.


Xarope, extrato e pó serão os produtos do fruto do guaranazeiro após o processamento. “Enquanto o quilo do grão custa R$ 10, o que atualmente é um valor alto para o mercado, a mesma quantidade do guaraná processada tem um valor 80% maior”, dizem os produtores.


A fábrica em Nilo Peçanha foi construída com investimento do governo federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que aplicou R$ 600 mil. Coube à prefeitura investir R$ 100 mil. De acordo com a Federação dos Trabalhadores em Agricultura da Bahia (Fetag), no baixo sul, o guaraná é cultivado em seis assentamentos. Entre os quais os de Josenei e Lucas Dantas, no município de Ituberá.


Em Camamu, 85 famílias colhem o fruto do guaraná nos projetos de assentamentos de Camamu e Zumbi. Ainda há 38 famílias no PA 17 Abril, em Taperoá, e 42 famílias no PA Mirante, cuja produção será absolvida pela unidade de processamento da fábrica de Nilo Peçanha.