Desafios dos biocombustíveis

07/01/2008

Desafios dos biocombustíveis


 

Apesar de ocupar apenas 2% das terras aráveis do País, encerrou o ano de 2007 como o terceiro item em termos de valor bruto da produção agropecuária.

Além disso, o setor sucroalcooleiro se posicionou em terceiro lugar nas exportações da agricultura brasileira, ficando atrás apenas dos complexos soja e carnes, que utilizam área muito superior à cana.

O horizonte é seguramente muito promissor para o Brasil. A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) estima que serão construídas 86 plantas industriais até 2012, com investimentos da ordem de US$ 17 bilhões, além da geração de milhares de novos empregos no campo.

No entanto, em que pese essa euforia de investimentos é bastante preocupante o descompasso entre a oferta e a demanda. O aumento da produção, sem a respectiva resposta do consumo, gera pressões sobre os preços e à rentabilidade. Tal situação também renova a exigência de ações concretas para promover o consumo linear de produtos derivados da canade-açúcar.

Por exemplo: o País conta, atualmente, com cerca de quatro milhões de carros flex. É imperioso que os proprietários desta frota sejam estimulados a consumir álcool hidratado em seus veículos. Por seu lado, os produtores de cana-de-açúcar devem se antecipar às novas exigências da redução da queima de cana, adotando ações de sustentabilidade ambiental e estabelecendo metas para a eliminação dessa prática o mais rápido possível.

É preciso, ainda, promover campanhas junto aos governos estaduais para que, a exemplo do Estado de São Paulo, pratiquem alíquotas de ICMS reduzidas para o etanol.

Minas Gerais e Goiás, por exemplo, têm recebido grandes investimentos no segmento sem que haja a merecida contrapartida em termos de renúncia fiscal.

Outro aspecto importante diz respeito à liderança mundial que o País deve assumir em relação aos biocombustíveis. O Brasil, como principal player, deve estabelecer estratégias internacionais para consolidar este mercado.

É necessário lutar contra o elevado protecionismo nos mercados de açúcar e etanol. A questão da logística também preocupa.

Precisamos consolidar os investimentos por meio, por exemplo, da construção de alcooldutos, reduzindo significativamente a demanda por transporte do biocombustível do CentroOeste para o Sudeste-Sul e os portos do País. O mercado de biocombustíveis é essencial e estratégico.

Não podemos deixar a euforia inicial prejudicar o desenvolvimento de uma atividade de tanto potencial. Os desafios são urgentes. Precisamos enfrentá-los.