Pastagens e as primeiras plantações de milho são atacadas na região oeste
O milho é a cultura que abre o plantio anual na região oeste da Bahia e, conseqüentemente, é a primeira a ser atacada pela “lagarta militar”, como é conhecida popularmente, mas tecnicamente denominada de Spodoptera . Ela traz resultados drásticos, interferindo na produção e produtividade da lavoura, mas pode ser combatida com os controles biológico e químico.
Este ano, o ataque da lagarta militar trouxe grande prejuízo à região, por destruir a cultura do milho e também prejudicar a pecuária, que sofreu impacto com perdas de pasto. Como todo o processo é uma cadeia, a economia acaba sendo afetada, diz o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Barreiras, Juracy Batista de Oliveira.
“Mais grave que a estiagem está sendo a praga, que afeta todos os produtores da região oeste e, embora seja comum o surgimento da lagarta, este ano superou todos os outros, trazendo prejuízo no pasto, com uma perda de 30% a 40%, conseqüentemente afetando o gado”, disse Juracy Batista de Oliveira.
Ele relatou que em uma fazenda, a 5 km do centro de Barreiras, a situação foi de grande impacto, causando o desaparecimento de grande parte do capim, além de afetar parte da plantação do milho.
“Para não haver maior dano, a saída foi deixar o gado solto, a fim de buscar alternativas de alimentos”, comentou.
O engenheiro agrônomo da Fundação Bahia, Ricardo Santos Cruz, diz que há vários inseticidas que podem ser utilizados no combate da lagarta, mas devem ser aplicados no momento certo, antes de chegar ao estágio conhecido na agricultura como dano econômico, isso depende da decisão de cada produtor. “A ação do inseticida tem vários estágios, a maior parte deles atinge a lagarta quando tem um índice específico para combater de forma eficaz a praga”, diz ele.
Todos os produtores da região enfrentam a Spodoptera, e, para exterminá-la, é necessário combate conjunto, orienta o agrônomo.
“Não adianta um ou outro produtor fazer o combate, pois a lagarta pode contaminar as fazendas vizinhas, é preciso realizar em toda a região, mas isto é feito a longo prazo”, completa.
Na seca, aumentam as agressões A lagarta Spodoptera ataca o pasto e culturas diversas, entre as quais a do algodão, causando prejuízos severos, mas o milho é a mais atingida pela praga no Brasil.
O dano nas plantações de milho é causado pela lagarta, inicialmente, nas folhas, mas, numa fase mais adiantada, ela destrói por completo a planta.
No início da sua existência, a lagarta militar apresenta-se na cor clara, mas, depois, passa para uma cor pardo-escuro, indo até o esverdeado e, por fim, fica quase preta.
Elas Iniciam sua alimentação pela casca dos próprios ovos e depois atacam as folhas mais novas das plantas.
No final da fase de vida, chega a atingir 50 mm de comprimento. É comum encontrar apenas uma lagarta desenvolvida por cartucho, devido ao canibalismo. Porém, podem ser encontradas muitas delas em diferentes instares, dentro de um mesmo cartucho.
O período de vida da lagarta varia de 12 a 30 dias e ocorre dentro do cartucho da planta. A longevidade do adulto é de cerca de 12 dias. O ciclo completo do inseto é de pouco mais de 30 dias.
No período de estiagem, aumenta a incidência da lagarta. Mas os produtos aguardam com grandes expectativas a chegada da chuva para interferir no círculo da lagarta, limpando e eliminado a praga.