Recomeça em Cabrobó obra da transposição
Paralisadas no dia 13 de dezembro, em cumprimento a uma liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, as obras de transposição do Rio São Francisco recomeçaram ontem, no chamado Eixo Norte, no município de Cabrobó (PE), e no Eixo Leste, município de Floresta, no interior pernambucano. As obras foram suspensas seis dias antes do recesso que os militares dos batalhões de Engenharia de Teresina e Picos (PI) teriam no final do ano, entre os dias 19 de dezembro a 4 de janeiro.
A liminar foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) autorizando a retomada das escavações, ainda no período do recesso do efetivo. “A paralisação não significou prejuízos em relação ao andamento dos serviços, pois foram apenas quatro dias úteis que ficamos parados, antes do recesso”, disse o capitão do Exército, Jair Armindo.
As escavações do canal e da Barragem de Tucutu foram retomadas na manhã de ontem e ainda esta semana começa a perfuração das rochas para facilitar o restante das escavações. Cerca de 140 homens do Exército e mais 45 civis estão participando dos trabalhos nos canteiros.
Nesta etapa, a missão do 2º Batalhão de Engenharia de Construção no Eixo Norte, é de construir 2.080 metros de canal e 1.790 metros da parede de contenção da barragem, que tem previsão para ser concluída até o final deste ano. No Eixo Norte, a água captada do São Francisco passará pelos canais até o reservatório da barragem, que também está sendo construído em Cabro bó.
Para a construção do reservatório, será inundada uma área de aproximadamente 360 hectares e terá capacidade de armazenamento de 25 milhões de litros.
GREVE –Nem a greve de fome do bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, que durou 26 dias em protesto contra a transposição, nem as manifestações populares em apoio barraram o projeto de transposição. Enquanto o bispo estava hospitalizado na cidade de Petrolina (PE), nos dias 19 e 20 de dezembro, o STF cassou a liminar que suspendia as obras em Cabrobó.
Dom Cappio disse ontem que a retomada das obras é "uma fotografia da imensa insensibilidade e falta de atenção e de respeito do governo federal com os movimentos sociais e a sociedade civil como um todo". Ele reiterou a falta de diálogo do governo federal.
"O governo não quer dialogar com o povo, não aceita a participação da sociedade brasileira, que foi alijada e marginalizada", acusou D. Cappio | Com informações de Angela Lacerda (Agência Estado)