Fluminense Frangos Rica arruma a casa para crescer
Alexandre Igayara, presidente da Frangos Rica, afirma que a empresa ainda precisa ser preparada para ir à bolsa. Há 35 anos desde que foi fundada - atuando exclusivamente no mercado do Rio de Janeiro, a Frangos Rica quer alçar vôos mais altos e começar a ganhar outros mercados como o do Norte e Nordeste, além de exportar. A empresa, que produz cerca de 7 mil toneladas de carne de frango por mês, aproveitou a necessidade de pensar num planejamento sucessório para investir também num plano estratégico e melhorar a estrutura de gestão da empresa. "Temos planos de dobrar a produção. Hoje são mais de 170 mil cabeças abatidas por dia, e das quase 400 toneladas produzidas por dia, pretendemos ir para mais de 600", planeja Alexandre Igayara, presidente e também fundador da Rica, junto com os irmãos. "Meu pai era granjeiro, o frango está no nosso DNA".
Pelas linhas traçadas no plano estratégico, elaborado com auxílio da consultoria externa Pragmática, a idéia é atingir essa meta num prazo que, num cenário otimista, poderia ser de cerca de cinco anos segundo projeção da consultoria.
Igayara explica que a empresa historicamente desenvolveu a estratégia de investir no mercado do Rio no qual, diz ele, a Rica tem hoje a liderança. "Temos entre 18% e 20% de market share no Estado, o que é bastante, considerando que este é um ramo de negócios bastante pulverizado", afirma Igayara, que também é presidente da associação comercial de Jacarepaguá, região da zona oeste do Rio onde está sediada a empresa.
De acordo com o executivo, para atingir o crescimento desejado e os novos mercados, a empresa quer investir em novas plantas e ampliar as atuais. "A Rica tem tido uma taxa de crescimento histórica de 10% por ano. É claro que há anos que foram piores, por conta de eventos específicos, como ocorreu em 2006, quando houve a questão da gripe aviária", conta. A investida no Nordeste e uma ampliação da fatia de mercado no Rio também estão nos planos.
A Rica já levou parte da produção para MG e SP, Estados nos quais mantém granjas de matrizes, incubatórios, granjas de recria e fábricas de ração. Dessas unidades saem os pintos de um dia que vão para as sete granjas de frango localizadas no Rio, onde há também uma fábrica de derivados de carne, na qual são produzidos embutidos, além de quibes e almôndegas.
Diante da necessidade de definir um rumo de crescimento para a empresa num mercado em transformação e também de equacionar questões de governança e sucessão familiar, a Frangos Rica contratou a Pragmática. "Estamos trabalhando a governança em três frentes, família, gestão da empresa e sociedade", diz o consultor Marcelo Barboza, da Pragmática. "Para isso estabelecemos o plano estratégico e também estamos estabelecendo uma série de critérios para profissionalizar toda a gestão e os processos", completa.
Nesse cenário, a Rica começa a arrumar a casa para quem sabe, no futuro, abrigar futuros investidores ou até se aventurar numa abertura de capital. Por enquanto, Igayara garante que não houve sondagens e que o crescimento deve ser tocado com capital próprio e linhas de financiamento de longo prazo, como as do BNDES, por exemplo.
"Até por isso, um dos primeiros passos é essa melhora nos processos e na estrutura, porque isso vai ajudar a aumentar o caixa", diz Barboza, da Pragmática. Já Igayara afirma que não está totalmente descartado contar com algum investidor privado, mas que este não é o plano, por enquanto. "Já para ir à bolsa tem que preparar melhor a empresa. Não estamos prontos, esse processo de governança pode até nos levar a isso, mas não será rápido. É algo que leva dois, três anos", diz o presidente da Rica.
Com pouco mais de 3 mil funcionários, a Rica - que é uma sigla para Reginaves Indústria e Comércio de Aves - avalia usar o nome Rica Alimentos como nova marca, já que atua em outros segmentos além de frango. Apesar disso, a empresa ainda é conhecida em todo o Estado como Frangos Rica.
Há cerca de cinco anos, entrou em outras atividades, como a revenda de produtos estrangeiros. Primeiro foram os legumes congelados, principalmente batata frita alemã. Em 2006, a empresa começou a revender também azeites e pescados, como o bacalhau português.