Sabra brasileira fica abaixo das expectativas de mercado

10/01/2008

Sabra brasileira fica abaixo das expectativas de mercado

 

A primeira pesquisa sobre a estimativa da produção nacional de café na safra 2008/09, divulgada ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta uma estimativa de 41,3 a 44,2 milhões de sacas (60 quilos), abaixo das expectativas do mercado - de cerca de 48 milhões de sacas. Os números, considerados "altistas", fizeram os preços futuros do café subirem. Ontem, na Bolsa de Nova York (Nybot), o contrato de março fechou a 135,45 centavos de dólar a libra-peso, valorização de 3%. Em Londres a alta foi de 0,7%.

O levantamento mostra que a safra será entre 20% e 30% maior que a passada, que foi de bianualidade baixa. Quando comparado com a última colheita cheia (2006/07), o acréscimo é de apenas 0,5%. Segundo Eledon Oliveira, gerente da Área de Avaliação de Safra da Conab, os número poderiam ser melhores se não fossem os problemas com o clima, que afetou o desenvolvimento de boa parte das lavouras.

Para Reginaldo Rezende, consultor da FCStone, "as expectativas eram de 48 milhões a 50 milhões de sacas, e esses 8 milhões de diferença podem causar uma tensão ainda maior entre os investidores", avisa. Isso porque os estoques de passagem estão em baixa. Segundo a Safras & Mercado, na temporada 2002/03, com a safra recorde, os estoques brasileiros estavam na casa dos 18 milhões de sacas. A estimativa é que a safra 2007/08 termine com algo em torno de 3,5 milhões a 4 milhões de sacas, se confirmados os números para exportação e consumo interno.

De acordo com Gil Barabach, analista Safras & Mercado, "com a interligação dos mercados mundiais qualquer problema pode desencadear uma série de conseqüências, ainda mais com o aumento do risco de recessão para 50% no Estados Unidos. Mas a expectativa é de alta volatilidade com tendência positiva para o café nos próximos meses", diz.

Ele diz que este fator é um dos principais responsáveis para as fortes oscilações do preço ultimamente. "Devido ao estoque baixo houve um aperto na oferta que puxou as cotações para cima. E agora com essa notícia de que a safra será menor que o esperado, o mercado pode ficar um pouco mais tenso. Mas é preciso observar os próximos meses para ver como será absorvido esse fato pelo mercado em geral".

Entretanto, Rezende explica que os números divulgados são sempre mais baixos em relação ao que realmente se espera colher, e o mercado sabe disso. Ele aponta um ótimo ano para os produtores devido à valorização que a commodity vem sofrendo. "Na safra de 2008, a maior volatilidade e a participação mais intensa dos fundos de investimento devem fazer com que o mercado seja mais firme e rentável em comparação à anterior", afirma Rezende.