Vez do dendê

10/01/2008

Vez do dendê

 


A Bahia inaugurou bem 2008 na agenda econômica, primeiro porque é o terceiro maior produtor de biodiesel do País, superado apenas pelo Rio Grande do Sul e Mato Grosso, e depois porque, desde o primeiro dia do ano, os postos de combustíveis do País estão obrigados a misturar biodiesel ao diesel, em quantidade inicial mínima de 2%, percentual que até o fim de 2009 poderá estar em 3% e, em 2013, alcançar 5%.

O Estado assentou importante pólo de produção tanto de biodiesel quanto de etanol, nesta fase histórica em que os biocombustíveis representam negócios dos mais promissores no século XXI, por envolver atividades econômicas auto-renováveis e não-poluentes, livres da dependência do petróleo, cujo barril fechou há pouco em US$ 100, em Nova Iorque.

Leva a Bahia a vantagem de possuir a matéria-prima, a palma do dendê, com potencial energético até oito vezes maior que o da soja. Esta responde atualmente por 60% da produção nacional de biodiesel e a um custo bem menor. Mas o quadro deverá reverter em favor do dendê, pois no Recôncavo, em Candeias, a Petrobras está construindo uma usina de biodiesel modelo para a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

O dendê ou óleo de palma supera outras oleaginosas indicadas à produção de biodiesel por ser lavoura permanente, enquanto as outras – mamona e soja, por exemplo – são temporárias, isto é, exigem novos plantios todos os anos.

O Brasil tem cinco usinas de biodiesel – duas na Bahia – e acrescentará mais duas, uma a ser inaugurada no Ceará e a outra, já mencionada, em construção no Recôncavo.

De acordo com o cientista Frederico Durães, chefe da Unidade de Agroenergia da Embrapa, é grande o potencial da Bahia na produção de biodiesel, a partir de dendê, mamona e soja, e também de etanol da cana-de-açúcar. Demonstra, assim, vocação para liderar a linha de biocombustíveis no No rdeste.

Já o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, ao frisar que a agroenergia é um novo paradigma agrícola, com potencial de mudar a geopolítica planetária, vê no dendê a estrela entre as palmáceas, uma das duas fontes de matéria-prima para o biodiesel (a outra são os grãos, como soja, mamona e girassol). Os grãos rendem até mil quilos de óleo por hectare; o dendê, seis vezes mais.