Energia nuclear no estudo do solo
O uso de tecnologias nucleares pode fornecer resultados mais precisos na determinação de propriedades físicas do solo, na definição de medidas de densidade e porosidade em escala micro e milimétrica e informações de retenção e distribuição da água, ações úteis especialmente na agricultura.
A constatação foi feita pelo físico Luiz Fernando Pires, após testes realizados no Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP, em Piracicaba (SP), informou a Agência USP de Notícias.
O uso da energia nuclear ainda é recente na agricultura, principalmente a técnica de análise tomográfica. “No entanto, há um potencial muito grande para que essas tecnologias sejam implementadas para análises da estrutura do solo, da curva de retenção e análise granulométrica”, acredite Luiz Fernando Pires.
Ele disse para A TARDE Rural que no Método de Richards, convencionalmente utilizado para análise de solo e de curvas de retenção de água, calcula-se o tempo de equilíbrio dos pontos da curva, primeiro, colocando-se a amostra de solo saturado em água dentro de uma câmara de pressão. Depois, aplica-se uma determinada pressão sobre a amostra. Isso é feito até que toda a água retida no solo, até aquela pressão seja expulsa. Repete-se a experiência diversas vezes, utilizandose pressões diferentes.
Cada vez que se atingir o equilíbrio, tem-se um ponto da curva.
Ao contrário dessa técnica, em que a medição do tempo de equilíbrio é feita visualmente (e por isso está mais sujeita à falha humana), com o auxílio dos raios gama, é possível fazer um monitoramento contínuo da variação de umidade da amostra de solo, apontando com exatidão o momento em que ele entra em equilíbrio com a água. Além disso, a amostra é saturada só uma vez, sem alterar a estrutura do solo.
ANÁLISE – A tomografia computadorizada, explicou o físico, é à base de feixes gama ou raios-X, que gera no computador uma visualização da estrutura interna do solo – se há buraco, raiz ou pedra no seu interior; ou camada argilosa logo após a primeira camada usada nas plantações.
Comessa tecnologia, é possível estudar as mudanças físicas que o solo pode sofrer com sedimentos externos, como lodo de esgoto (utilizado como fertilizante), por exemplo, que é nutritivo, mas pode alterar a estrutura física do solo e seu uso.
A análise micromorfológica complementa a tomografia porque calcula a distribuição de tamanho dos poros do solo em escala micrométrica, identifica quais tipos de poros (arredondados, alongados e complexos) e as porcentagens de cada um na amostra coletada, afetando o nível de retenção de água.
Análise da “curva de retenção” fornece informações a respeito do quanto a terra consegue reter de água.
Determina a quantidade de água que deve ser utilizada em uma irrigação, para que a terra não fique encharcada nem árida.