Usda faz commodities baterem recordes

14/01/2008

Usda faz commodities baterem recordes

 

A redução dos estoques de milho dos Estados Unidos fez os preços das commodities baterem recordes na sexta-feira. As cotações futuras do grão foram as mais altas em 11 anos e as da soja, maiores desde 1973, após a divulgação do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda). Os contratos de março dos dois produtos aumentaram na Bolsa de Chicago (CBOT): 4,2% para o milho (495 centavos de dólar o bushel) e 2,87% para a soja (US$ 12,98 o bushel).
Os Estados Unidos reduziram seus estoques de milho de 45,6 milhões de toneladas para 36,5 milhões de toneladas, em cerca de 20%. "O milho levou a soja e trigo a reboque", afirma Fábio Turquino Barros, analista da AgraFNP. Em relação ao levantamento de dezembro, a safra mundial do grão será 2,5 milhões de toneladas menor, totalizando 766,7 milhões de toneladas.
"Uma das principais novidades do relatório é a correção que o governo americano fez em relação à safra brasileira de soja, que passou de 62 milhões de toneladas para 60,5 milhões de toneladas, mexendo também com os números para exportação, que caíram de 30,6 milhões de toneladas para 29,69 milhões de toneladas, influenciando na expectativa da produção e consumo mundial", explica Renato Sayeg, da Tetras Corretora.
Para ele, esse fato já era esperado pelos especialistas devido ao aumento do spread entre demanda e oferta, que passou de 11%, em dezembro, para 13% em janeiro de 2008, gerando uma redução de 2,28% nos estoques mundiais do grão no período. Apenas nos Estados Unidos, caíram de 15,6 milhões toneladas, na safra 2006/07, para 4,7 milhões de toneladas na temporada atual. Mas, segundo Sayeg, não era esperada a redução da produção de soja no mundo, de 0,6%, passando para 220,34 milhões de toneladas, o menor número dos últimos três anos.
"O corte nos estoques acabou afetando o mercado que respondeu com essa alta, mas no curto prazo o preço tende a cair com a realização de lucros. Todavia no longo prazo (de três a seis meses) a cotação pode subir novamente", afirma Anderson Galvão, diretor da Céleres.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 3)(Roberto Tenório)