Análises garantem que nova maré vermelha é benéfica

16/01/2008

Análises garantem que nova maré vermelha é benéfica 

 

Floração tem um papel importante na regulação da temperatura terrestre, combatendo o efeito estufa
  

A floração detectada na costa de Salvador, litoral norte e na região de Valença, além de não ser tóxica, é benéfica ao meio ambiente. A informação é do oceanógrafo responsável pelas análises do material coletado nas diversas praias onde houve registro da ocorrência de maré vermelha. Apesar da denominação, o fenômeno nada tem a ver com o registrado em março do ano passado, quando pelo menos 50 toneladas de peixes morreram na Baía de Todos os Santos por asfixia. Segundo o Centro de Recursos Ambientais do Estado (CRA), o surgimento de florações como a identificada agora é comum e rotineiro nas águas tropicais, mas só a partir do monitoramento iniciado ano passado, em função da mortandade de peixes no recôncavo, passou-se a verificar a sua incidência.


Diante da notícia de uma nova maré vermelha, a diretora geral do CRA, Bete Wagner, convocou ontem uma coletiva com o presidente da Sociedade Brasileira de Ficologia (estudo de algas), o oceanógrafo e professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univale/SC), Luís Proença. O professor integrou o grupo de cientistas que trabalhou na análise das algas responsáveis pela maré vermelha do recôncavo e, desde então, presta serviço ao CRA, que remete para a Univale as amostras coletadas no trabalho de monitoramento do litoral baiano. Ele explicou que a Trichodesmium Erithraeum encontrada nas praias de Jauá, no Litoral Norte, Boca do Rio, Amaralina e Rio Vermelho, em Salvador, e na região de Valença, atingindo Guaibim e Morro de São Paulo, não é tóxica.


Forte odor - Ao contrário da Gymnodimium sanguineum, que provocou a mortandade de peixes nas praias do recôncavo. Trata-se de uma cianobactéria e não de uma alga que aparece, todos os anos, nos mares tropicais, onde predomina a água quente. Suas principais características são o forte odor de maresia e a consistência pastosa, que, em alguns casos, pode ser confundida com uma mancha de óleo na água. “Apenas na senescência (quando as bactérias estão morrendo), ela libera a pigmentação avermelhada que a caracteriza como maré vermelha”, explica o professor, lembrando que o pigmento também pode ser amarelo, verde, marrom e até branco.


Segundo o pesquisador, trata-se de uma bactéria tipicamente oceânica, com maior incidência em águas profundas, e o pigmento não traz qualquer dano à saúde humana ou da fauna marinha. Em vez disso, a floração tem papel importante na regulação da temperatura terrestre, combatendo o efeito estufa, através da fixação do gás carbônico e do nitrogênio presentes na atmosfera, transformando-os em proteína ou biomassa.