Impactos da maré vermelha ainda não foram estudados
A dois meses de completar um ano da ocorrência da maré vermelha, ainda não é conhecida a dimensão do estrago sobre a população de peixes e mariscos da região noroeste da Baía de Todos os Santos, entre os municípios de Madre de Deus até Salinas da Margarida. Na época, a pesca foi suspensa por apenas três meses, não com o objetivo de recuperação das espécies, e sim por causa da suspeita de que o consumo pudesse provocar danos à saúde humana. Os estudos anunciados pela Bahiapesca – estatal vinculada à Secretaria de Agricultura, não foram feitos.
Até o pescador Ivan Jorge Moreira de Oliveira, 33 anos, que cursou só até a 6ª série, no único colégio de Acupe, distrito do município de Santo Amaro reconhece a necessidade de estudos. “Só fazendo um estudo para saber o porquê da redução do pescado na região. Teve a fábrica de chumbo, a de papel, e os criatórios de camarão que também afetaram a pesca”, cita ele, numa parada para reflexão na volta da pescaria, ontem, de tarde.
POUCO CONHECIMENTO – Para o professor da Universidade Estadual de Feira de Santana, Alexandre Clistenes que coordena estudos no local, além das conseqüências sociais e econômicas, a maré vermelha “evidenciou a pobreza de conhecimento e informação técnica sobre a estrutura e dinâmica do ecossistema Baía de Todos os Santos (BTS) e a ausência de um sistema integrado de monitoramento ambiental e de gestão e ordenamento da atividade pesqueira”. Ele foi um dos que defendeu a urgência de estudos para a adoção de políticas públicas como a suspensão da pesca por um período necessário para a recuperação das espécies.
O professor conta que chegou a ser procurado para umprojeto de pesquisa cujo principal objetivo era gerar conhecimento técnico científico para a gestão dos recursos pesqueiros e do ambiente marinho da BTS, e a proposição de medidas mitigadoras dos impactos causados pela maré vermelha sobre os recursos pesqueiros e as comunidades de pescadores artesanais atingidas.
“Infelizmente, por questões burocráticas ou orçamentárias o projeto até o momento não foi iniciado apesar da urgência que a situação exigia”, afirmou o professor.
GOVERNO –A gestora da Área de Proteção Ambiental (APA) Baía de Todos os Santos, Daniela Blinder informou que novas pesquisas serão feitas na região com financiamento público e sob a coordenação da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesb). O presidente da Bahiapesca não foi localizado, ontem, por sua assessoria de comunicação. (M.A.)