Veterinárias devem retomar reajustes de preços em 2008

18/01/2008

Veterinárias devem retomar reajustes de preços em 2008 


 

Conforme Jorge Espanha, da Pfizer, o aumento dos custos de produção torna irreversível o repasse ao preço final
O aumento no custo das matérias-primas, em particular do petróleo, projeta cenário de aumento de preços dos medicamentos para saúde animal. Segundo as principais empresas do segmento, os reajustes devem ser superiores à inflação, já que, no ano passado, os preços ficaram praticamente inalterados. 


"Para a indústria, a aumento de preços é irreversível", afirma Jorge Espanha, diretor da divisão de saúde animal da Pfizer. "Todos os insumos aumentaram, mas quase não houve reajuste nos medicamentos". Cresceram os custos também com mão-de-obra, afirma ele. A Pfizer ampliou recentemente seu time de veterinários com a contratação de 30 profissionais. A equipe tem atualmente 98 veterinários. 


Espanha não faz uma projeção exata dos aumentos que serão repassados aos produtores, mas afirma que o reajuste será de "inflação (IPCA) e mais um pouco". Esses repasses já ocorrem no início do ano, mas serão diluídos ao longo dos próximos meses. 


Alfredo Ihde, presidente da Merial, também estima que os reajustes dos preços de medicamentos para saúde animal serão um pouco superiores à inflação, embora ressalve que os aumentos, no geral, "não serão demasiados", já que nem todas as linhas passarão por aumento. "O que deve subir com mais certeza é a linha destinada aos ruminantes. A exigência de qualidade tem aumentado e o custo, também", diz. 


O que deve limitar os aumentos de preços, avalia o executivo, é o fato de, no geral, o setor de sanidade animal ser "mais oferecido que demandado". Na composição dos custos da bovinocultura, que representa 58% das vendas de medicamentos, o peso é de cerca de 3% dos custos totais. 


O momento é de reajuste de preços, atesta Maria Gabriela Tonini, da Scot Consultoria. "O mercado de pecuária passou por quatro, cinco anos de preços 'frouxos'. Agora, com a projeção de preços firmes, é o momento para reajuste. Seria diferente se os preços estivessem ruins", diz. 


Os aumentos projetados pela indústria podem aumentar o faturamento do setor, embora possam também significar redução no volume de vendas, avalia Espanha, da Pfizer. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), o mercado deve fechar 2007 com faturamento 4% maior que os R$ 2,2 bilhões do ano anterior. Os números finais deverão ser apresentados até o fim de janeiro. 


O avanço da Pfizer foi de 13%, informa a companhia. Com isso, sua receita passou a R$ 253 milhões. O Brasil, que já foi o sexto maior na divisão de saúde animal da empresa, ocupa atualmente a terceira posição. 


A Merial encerrou 2007 com receita de vendas de R$ 316 milhões, volume 8% superior ao do ano anterior. A maior responsável pelo avanço foi a linha de exportações, informa o presidente, Alfredo Ihde. Com vendas antes limitadas à América Latina, a empresa iniciou embarques também para os Estados Unidos.