Duas alternativas para controle

21/01/2008

Duas alternativas para controle

 

Os índices de prática da produção orgânica e do manejo integrado de pragas no País, alternativas que reduzem os impactos causados pelos agrotóxicos e adubos químicos nas plantações, ainda não merecem comemoração, na opinião do agrônomo Alberto Feiden, da Embrapa Pantanal, em Corumbá (MS).

Na passagem do Dia do Controle da Poluição por Agrotóxicos (11 de janeiro), o agrônomo destacou que, junto com as queimadas, os agrotóxicos são grandes fontes de poluição ambiental no Brasil. “Não há motivo para comemorações; precisamos refletir sobre o uso indiscriminado do agrotóxico e avaliar se os benefícios compensam os impactos que causa”, afirmou.

Segundo Alberto Feiden, o consumo seguido de produtos com resíduos de agrotóxicos pode causar intoxicação aguda (choque imediato, facilmente relacionado com o produto químico) ou crônica. Neste último caso, a pessoa consome pequenas quantidades durante um longo período e os resíduos se acumulam no organismo.

Dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola, citados pela Embrapa Pantanal, revelam que em 2007 a venda de agrotóxico cresceu 25% em relação ao ano anterior. As culturas do morango, mamão, tomate, laranja, batata, maçã, alface, banana e cenoura estão entre as que mais concentram resíduos tóxicos.

ALTERNATIVAS – A cultura orgânica é uma alternativa para evitar esses males, ensina o agrônomo da Embrapa Pantanal, citando que qualquer cultura pode ser produzida dessa forma, algumas com mais facilidade. Plantas que sofreram pouca modificação genética respondem melhor à produção orgânica, iniciada no País na década de 1960.

“Nos anos de 1970 houve um impulso, mas a produção orgânica ganhou escala de mercado no fim da década de 1980 e início de 1990, e a ECO-02 no Rio de Janeiro contribuiu muito”, lembra o agrônomo, esclarecendo que o sistema orgânico exige mudança na lógica de produção. A monocultura é descartada neste sistema, pois os conceitos são diferentes e a reorganização da propriedade é um processo lento.

A segunda alternativa para minimizar os impactos da poluição por agrotóxicos é o Sistema Produção Integrada, que reduz o uso de insumos e produtos contaminadores.

“Neste caso, o agrotóxico só é usado quando outros métodos de controle não funcionarem, mas há uma vigilância sobre as dosagens adequadas e o nível de danos econômicos”, diz Alberto Feiden.

De acordo com o pesquisador, no caso da soja, por exemplo, não se aplica agrotóxico antes de 30% de desfolha, antecipando o florescimento.

“O produtor estaria desperdiçando o produto e eliminando inimigos naturais que poderiam ajudar a combater doenças”, afirmou. No Brasil, o sistema de manejo integrado existe na fruticultura.