Crise nos EUA afeta exportações baianas
A crise dos Estados Unidos terá impacto direto nas exportações baianas, que registraram crescimento de 17,5% no ano passado.
Mas, segundo o economista Arthur Souza Cruz, gerente de estudos e importação do Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo), este impacto será atenuado pela diversificação dos parceiros comerciais alcançada pela economia do Estado nos últimos anos.
Os americanos ainda são os principais compradores da Bahia. Em 2007, importaram US$ 1,467 bilhão em produtos baianos, o que representou uma fatia de 19,8% das exportações. A Argentina é o segundo importador, com 12%. “Mas esta participação tem caído a cada ano, com crescimento do comércio com demais países da América Latina e com a Ásia”, afirma Souza Cruz.
E cita o exemplo da China, que há cinco anos não estava nem entre os 30 parceiros comerciais da Bahia e no ano passado já ocupava o quarto lugar nas importações, com 8% de participação. América Latina responde por 22%, e Ásia, por 15%.
O tamanho do estrago da crise deste ano poderá ser medido no balanço do primeiro trimestre, e a previsão é que seja interrompida a tendência de crescimento registrada nos últimos anos. As exportações em 2007 tiveram crescimento médio de 11,6% nos preços dos produtos, e, embora o volume tenha caído 2%, o valor das vendas cresceu 9,4%, informa o Promo.
Embora saliente que o cenário ainda esteja indefinido, o otimismo do Promo é compartilhado por Carlos Falcão, da Winners – Engenharia Financeira, ao avaliar o tamanho do estrago provocado ao Brasil pela crise americana.
“O peso da economia americana ainda é muito forte, mas hoje temos uma boa relação dívida/ PIB, uma balança comercial mais favorável e uma boa reserva cambial”, avalia.
Mas, como o peso dos Estados Unidos ainda é decisivo, pondera, as medidas tomadas pelos americanos para conter a crise poderão afetar o crescimento e o nível de emprego dos países emergentes como o Brasil.
Para o consultor financeiro Cláudio Boriola, o risco de recessão é maior caso haja uma valorização excessiva do dólar provocada pela queda dos juros nos Estados Unidos e a saída de dólares do País em busca de investimentos mais seguros.
“Não tenho bola de cristal, mas eu não vejo como o Brasil quebrar, porque há equilíbrio e uma maior estabilidade do real, que veio para ficar”. Boriola estima que a previsão de crescimento para o País neste ano, que era de 5%, deva cair para menos de 4% com a crise.
Em pelo menos um aspecto a crise poderá ser favorável ao consumidor. A carne e o leite, que tiveram este ano os preços elevados pela valorização internacional dos alimentos, deverão sofrer menos pressão de alta, embora esta seja uma vantagem que não compensa os prejuízos provocados pela redução do crescimento da economia.