Em vez de deságio da arroba, valorização
No grupo Praterra Agropecuária, de São José do Rio Preto (SP), todos os animais já estão no Eras. 'Migramos para não perder o mercado de exportação', diz o gerente-geral de Pecuária do grupo, Caio Barbosa. Mas uma exigência preocupa. Conforme o Eras, os produtores só poderão comprar animais de outras propriedades e cadastrá-los quando entrarem em sua propriedade até o dia 31 de dezembro deste ano. A partir de 1º de janeiro de 2009, todos os bovinos que entrarem em uma propriedade com Eras devem ser originários de outro estabelecimento cadastrado.
Barbosa diz que cerca de 35% dos bezerros comprados anualmente vêm de criadores da região da fazenda do grupo, que fica em Rosário do Oeste (MT). 'Um dos maiores custos é o alto valor dos fretes, por isso compramos bezerros de fazendas da região', explica. 'O problema é que a maioria desses produtores não aderiu, e não tem interesse em aderir, à rastreabilidade.'
DESÁGIO
Em Paraúna (GO), a criadora Marcela de Almeida Contadini foi para o Eras. 'Não somos favorecidos por ter a rastreabilidade, mas pelo menos não perdemos. Quem não tem gado rastreado hoje tem deságio na hora da venda.' Sua expectativa é a de que, com as novas exigências do mercado externo, os animais rastreados sejam mais valorizados.
Os custos para rastrear os animais, diz Marcela, aumentaram. 'Em 2005, eu gastava R$ 2,27 por animal. Agora, já são R$ 3,18.' Além do brinco, do button e da taxa de rastreabilidade, no novo sistema há gasto com a visita técnica semestral obrigatória, que custa em torno de R$ 600, e do livro de registro Eras, vendido pela certificadora. 'Temos que registrar e comunicar toda a movimentação do rebanho, além de vacinas, medicamentos e até o sal mineral.'
Para o diretor da certificadora OIA Brasil, Edegar de Oliveira Rosa, o sistema ficou mais seguro e controlável. Ele diz que o aumento de custo vale a pena. 'É o preço para manter um sistema confiável.' A maior despesa num primeiro momento é com os brincos e buttons, pois, agora, 'todos os animais terão de ter brincos e ser rastreados', diz.
Em Goiás, os pecuaristas temem que os frigoríficos achatem, ainda mais, o preço do boi não-rastreado. 'O setor esperava que ocorresse uma valorização de animais rastreados, mas percebemos que vem ocorrendo o contrário, o deságio de animais não rastreados', diz a assessora técnica da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, Cristiane de Paulo Rossi Carvalho. 'Muitos estão na expectativa, esperando o que vai acontecer.'
Como a criadora Marina Meira, de Itauçu (GO), que ainda não migrou para o Eras. Além dos 500 animais comerciais, para aderir ao Eras ela teria de rastrear seu gado leiteiro. 'É muita despesa', diz. 'E os frigoríficos da região pagam o mesmo preço pela arroba rastreada e não rastreada. Por enquanto, não compensa aderir.'
COMO CERTIFICAR A PROPRIEDADE
Certificação: Para certificar a fazenda, o produtor deve escolher uma certificadora credenciada pelo Mapa;
Formulários: A certificadora vai enviar cinco formulários para o produtor preencher: cadastro de produtor rural, cadastro de estabelecimento rural, inventário de animais, termo de adesão à norma operacional do Sisbov e protocolo declaratório de produção;
Elementos de identificação: Os animais devem ser identificados com brinco em uma orelha e button na outra. Na compra dos elementos de identificação, o produtor recebe a planilha de identificação individual dos animais, que deve ser preenchida e encaminhada à certificadora;
Vistorias: Com a planilha em mãos, a certificadora fará a primeira vistoria. A freqüência de vistorias da certificadora num Eras será a cada 180 dias para fazendas de criação e 60 dias para os confinamentos aprovados (tipo boitel) no Sisbov, durante o período em que mantiverem bovinos e bubalinos sob sua guarda;
Prazos: Os animais nascidos na propriedade cadastrada no Eras devem ser identificados, caracterizados e ter seus dados lançados na Base Nacional de Dados até a desmama ou, no máximo até 10 meses de idade, obrigatoriamente antes de ocorrer qualquer movimentação destes animais.
FONTE: CARTILHA DO NOVO SISBOV, DO MAPAC
INFORMAÇÕES: Site do Ministério da Agricultura, www.agricultura.gov.br