Novos métodos melhoram adubação de mangueiras

28/01/2008

Novos métodos melhoram adubação de mangueiras

 

Um dos trabalhos considerados difíceis e enfrentados por quem vive do cultivo de mangueiras é a aplicação, correta e exata, da dosagem de nutrientes na adubação da planta para que responda com o máximo de produtividade.
A tarefa é complicada e, mesmo quem emprega informações e recursos técnicos, invariavelmente incorre em erros de dosagens nas porções do adubo.
Na avaliação de pesquisadores da Embrapa SemiAacute;rido em Petrolina (PE), a dificuldade está, principalmente, nos métodos atualmente utilizados, que não apresentam precisão. Assim, especialistas da Embrapa SemiÁrido e Embrapa Acre e do Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) desenvolveram estudos, em Juazeiro, e agregaram aos métodos habituais um conjunto de informações que torna mais eficiente a prática da adubação nos pomares comerciais de mangueiras.
Segundo o pesquisador Davi José Silva, da Embrapa SemiAacute;rido, as recomendações de adubos para a mangueira são determinadas pelos resultados de análise de folhas e de solo, mas a interpretação dos resultados de forma integrada é complexa e, para interpretar os resultados da análise foliar, são utilizados os métodos de “Níveis Críticos” e “Faixas de Suficiência”.
“O primeiro é baseado na comparação de um determinado macro ou micronutriente, com índices de referência separados em classes de deficientes e sufi-cientes, ou suficientes e tóxicos”, explica o pesquisador. A técnica de recomendação com base no segundo, acrescenta, tem sido sugerida como alternativa para contornar as limitações de interpretação do nível crítico. “A abordagem de faixas torna mais maleável a determinação da oferta de adubos, tendo em vista que não existe um nível exato que determina a ótima produtividade da cultura”, esclarece.
Outra forma usada por técnicos e agricultores é o Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação (Diagnosis and Recommendation Integrated System Dris). Neste, a suficiência de cada nutriente em relação aos demais é identificada pela análise foliar.
A aplicação deste método em mangueiras na região do Submédio São Francisco fez parte de um estudo do professor Paulo Augusto da Costa Pinto, da Uneb em Juazeiro. Para o estudo de adubação de mangueiras nesta região, o pesquisador colheu dados em 63 pomares comerciais na Bahia e Pernambuco.
O pesquisador Davi Silva chama atenção para o fato de o Dris ser deficiente quando o técnico ou agricultor precisa relacionar o diagnóstico do estado nutricional, obtido com as análises de solo e foliar, com a recomendação das quantidades de adubo.
A deficiência apontada por ele foi corrigida em pesquisa desenvolvida pelo pesquisador Paulo Guilherme Salvador Wadt, da Embrapa Acre, que agregou ao Dris o critério chamado de Potencial de Resposta à Adubação (PRA), em que os índices Dris são dispostos em cinco classes de probabilidade de resposta à adubação.

Na região de Juazeiro estão os perímetros irrigados de Maniçoba, Mandacaru, Tourão e Curaçá.

A produção de manga da região ocupa o primeiro lugar no ranking nacional.

Pequenos têm poucas chances com benefícios

Agricultores e técnicos poderão usar o programa disponibilizado pelos pesquisadores, tendo como base o Dris e o PRA, para que haja disponibilidade de um sistema de diagnose e de recomendação de adubação para mangueiras. “A intenção é integrar avaliação da fertilidade do solo e da diagnose foliar (Dris) como meio de propiciar uma adubação mais equilibrada para a maximização da produtividade de um determinado pomar sem causar danos ao meio ambiente ou à saúde das plantas”, assegura Davi Silva, pesquisador da Embrapa.
Mas nem todos os que plantam manga na região deverão se beneficiar com os resultados dessas pesquisas, devido à falta de oportunidade para desenvolverem a cultura, materializada na infra-estrutura dos projetos e perímetros irrigados.
Sem recursos para levar adiante as plantações, muitos desses colonos estão locando as terras. E, pelo aluguel, recebem menos do que poderiam obter com o cultivo da terra.
Na região de Juazeiro há quatro perímetros irrigados: Maniçoba, Mandacaru, Tourão e Curaçá. Neles, os colonos enfrentam as estradas ruins, dificuldades de renegociação de dívidas e novos créditos, que impossibilitam a continuidade do cultivo. Assim, a maior parte das áreas plantadas fica com as grandes empresas exportadoras.
A região do Vale do São Francisco mantém a posição de primeiro lugar no ranking nacional de produção e exportação de manga e uva do País. Os pequenos agricultores, no entanto, asseguram que os perímetros estão em decadência e que os colonos precisam é de mais atenção por parte dos governos e recursos para reestruturação dos perímetros irrigados.