Produtos orgânicos ganham novas regras
Reconhecidos como uma alternativa mais saudável de alimentação, os produtos orgânicos – resultado da agricultura biológica, cultivados sem agrotóxicos e adubos químicos – vêm experimentando nos últimos anos um significativo crescimento de vendas em todo o mundo, com direito a espaços especiais em supermercados, delicatessens e mesmo mercadinhos de bairro.
No Brasil, estima-se que há hoje cerca de 15 mil produtores atuando com agricultura orgânica, numa área de 800 mil hectares.
O consumidor que dá preferência a este tipo de produto, contudo, precisa estar atento e bem informado sobre as normas que regem esse tipo de produção e os seus procedimentos, de modo a garantir a integridade do que está comprando.
Isso porque, desde 29 de dezembro último, a agricultura orgânica no País tem critérios para o funcionamento de todo o seu sistema, expressos no Decreto nº 6.323, que regulamenta a produção, transporte, armazenamento, rotulagem, comercialização, certificação e fiscalização dos produtos.
Segundo o engenheiro agrônomo Joctã Couto, produtor orgânico e consultor da Igreja Messiânica em Salvador, onde todo sábado vende hortaliças biológicas numa feirinha improvisada, “ao adquirir produtos orgânicos industrializados em supermercados e lojas, o consumidor deve sempre observar a presença de selo de certificação e, em caso de dúvida, consultar sites como o Planeta Orgânico (www.planetaorganico.com.br) e ver se a certificadora é legal. Em seguida, vale consultar perante a certificadora se aquele produtor ou empresa realmente é certificado”.
AGÊNCIAS –No Brasil, as principais agências certificadoras são: AAOCert, Abio, ANC, ACS Amazônia, Apan, BCS, Chão Vivo, OMO, Coolméia, EcoCert, FVO, IBD, IMO, OIA, Minas Orgânica, Sapucaí, Skal e Tecpar. “Já ao se comprarem produtos orgânicos em feiras livres, deve-se confiar no produtor e, quando possível, visitar a propriedade onde estes alimentos são produzidos para checar o seu sistema de produção”, explicou Joctã. Ele disse que tais cuidados são necessários para que o consumidor não saia perdendo ao comprar “gato por lebre”, uma vez que não há como identificar o produto orgânico apenas pelo exame visual.
“Em geral, não podemos dizer que as frutas, legumes ou verduras orgânicas sejam mais bonitas ou mais feias, maiores ou menores que o produto convencional.
Mas um teste eficiente é avaliar o seu tempo de conservação, pois os produtos de qualidade orgânica são mais equilibrados, o que lhes confere uma vida de prateleira muito maior”, disse.
PREÇOS –Uma atenção especial também deve ser dada pelo consumidor aos preços dos orgânicos – que em muitos casos chegam a ser duas, três ou mais vezes mais caros que o produto convencional.
É o caso, por exemplo, do leite longa vida Naturallis, produzido em Minas Gerais e anunciado como sendo “o primeiro leite orgânico certificado do Brasil”, que está sendo oferecido na delicatessen Perini da Avenida Vasco da Gama por R$ 5,98 o litro, enquanto a mesma quantidade do longa vida comum pode ser encontrado no local por R$ 1,86.
“Hoje, este tipo de produto ainda é consumido por uma elite.
Mas, no nosso caso, temos clientes que não se importam de pagar mais para ter acesso a um produto mais saudável. Por exemplo, vendemos aqui um azeite espanhol orgânico da marca LA que sai a R$ 59,60 a latinha de 500 ml. Poucas pessoas podem se dar a esse luxo, mas não falta comprador”, atestou o gerente de vendas da Perini Master, Antônio Bento, 43 anos.
Segundo ele, os preços ainda são um impedimento para que os produtos orgânicos tenham uma maior aceitação por parte dos consumidores. “Mas a procura tem sido crescente, e, à medida que a produção aumentar, os preços tendem a cair”. Prova disso é que, na mesma loja, um quilo de arroz orgânico e integral da marca Tio João, produzido no Rio Grande do Sul e certificado pelo Instituto Biodinâmico, estava sendo vendido por R$ 3,87, preço extremamente vantajoso e competitivo quando comparado com os congêneres.
A dona-de-casa Alagoin Dias, que costuma adquirir produtos naturais para a família, disse que sempre que pode dá preferência aos itens orgânicos. “Acho que é uma tendência mundial preferir tudo que é natural e orgânico, pois a consciência alimentar das pessoas está aumentando. Mas o preço desses produtos precisa baixar muito ainda”, comentou.“Ao adquirir produtos orgânicos industrializados em supermercados e lojas, o consumidor deve sempre observar a presença de selo de certificação” Joctã Couto, produtor orgânico.