Bahia exporta produção orgânica para a Europa

30/01/2008

Bahia exporta produção orgânica para a Europa

 

Foto: Manuela Cavadas
O primeiro carregamento de suco concentrado de laranja orgânica do Nordeste saiu no inicio dessa semana, do Porto de Salvador, com destino à Holanda. O processo de produção é inovador e agregou 50% acima do valor da fruta praticado no mercado, para produtores familiares do município de Rio Real, os fornecedores da laranja. A iniciativa é resultado da parceria entre a Central das Associações do Litoral Norte (Cealnor), a indústria de sucos Trop Fruit do NE, localizada em Estância – Sergipe e a Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri), por meio da sua Câmara Técnica de Comercialização.
Para atender à demanda do comércio internacional, foram processadas a produção das safras de fevereiro e agosto de 2007, totalizando 99 toneladas de laranja pêra. O suco concentrado e congelado foi devidamente condicionado e armazenado. Do porto, saíram 28 tambores (7.448 quilos) de suco concentrado e congelado de laranja orgânica certificada pelo Instituto Biodinâmico Rural (IBD).
Para o superintendente da agricultura familiar da Seagri, Ailton Florêncio, a experiência de exportação do produto orgânico, oriundo da agricultura familiar, com um preço justo, abre perspectivas para que novos outras produções possam abrir o mercado internacional. “A exportação nesse segmento cresce 5% por ano na Europa”, completou Florêncio.
A agricultura orgânica no país tem critérios para o funcionamento de todo o seu sistema, expressos no decreto nº 6.323, que regulamenta a produção, transporte, armazenamento, rotulagem, comercialização, certificação e fiscalização dos produtos.

Pioneirismo

A produção pioneira foi negociada pela Cealnor com a Agrofair, na Holanda, uma importadora do Comércio Justo e Solidário Internacional, que trabalha com a certificação exigida e reconhecida do IBD. Nessa negociação cada agricultor familiar recebeu R$ 240,00 por tonelada de laranja ofertada, além de um incremento de aproximadamente 100%, com a chegada do produto ao mercado europeu.
Segundo o coordenador da Cealnor, Rafael Cezimbra, o importante é que, pela primeira vez, foi possível organizar a produção orgânica, com processamento e certificação. “Isso mostra o fortalecimento da agricultura familiar baiana, que está tornando o produtor cada vez mais autônomo e competitivo”, avaliou. Segundo ele, a política diferenciada do Governo do Estado, sobretudo, com a criação Suaf, vai desenvolver ainda mais o segmento. “É essa agricultura que vai fortalecer o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no Estado”, conclui Cezimbra.
Existem no município de Rio Real, no Litoral Norte, dez propriedades orgânicas certificadas, com uma produção diversificada de laranja, maracujá, coco verde e seco, aipim, mandioca, abacaxi e abóbora. Tudo produzido com baixíssimo uso de agrotóxicos, e em muitos casos, sem adubo químico. Além de frutas esses agricultores plantam milho, feijão, mandioca e amendoim para consumo próprio e para venda ocasional em feiras locais.

Ascom/ Seagri - 30/01/2008
Ana Paula Loiola
3115-2767/2737