Persiste controvérsia sobre os transgênicos
O crescimento acelerado da demanda mundial por alimentos e energia e a alta dos custos das lavouras apontam a utilização da biotecnologia como uma das principais ferramentas para o aumento de produtividade das culturas sem um aumento expressivo de área plantada. De acordo com estudo divulgado ontem pela consultoria Céleres em parceria com a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), a ampliação da aplicação da biotecnologia no Brasil poderia trazer um benefício potencial de US$ 4.8 bilhões nos próximos dez anos. Sem a adoção dessa tecnologia, a perda, diz o estudo seria de US$ 7.8 bilhões.
Apesar do quase consenso em relação à adoção de organismos geneticamente modificados (OGMs), o plantio de lavouras transgênicas enfrenta obstáculos, seja pela resistência do mercado, pela falta de adequação das variedades ao solo e o clima brasileiros e pela alta dos insumos, especialmente do glifosato, do qual as lavouras dependem. A oferta do produto está limitada a uns poucos fornecedores.
Não é de agora que o Greenpeace impõe uma sonora resistência aos OGMs. A organização agora se empenha em alertar os produtores que a soja modificada pode não oferecer a mesma rentabilidade que seus defensores preconizam. Está no site da organização pesquisa realizada em 2007 pela Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicando que o controle das ervas daninhas nas plantações de soja transgênica está 50% mais e que a Monsanto detém 90% desse mercado. Em contrapartida, os produtores da soja convencional lucraram mais no mesmo ano com o aumento do prêmio – o maior dos últimos quatro anos.
Para Anderson Galvão, diretor da Céleres, a "a biotecnologia é a exploração racional do que temos disponível. Com ela, podemos reduzir os custos e até aumentar a produtividade das lavouras sem avançar em áreas de outras culturas", explica. Glauber Silveira, presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja), alerta que "a morosidade do governo brasileiro faz com que as grandes empresas evitem investir no aprimoramento da tecnologia, barrando o desenvolvimento do campo", diz. Já para Iwao Miyamoto, presidente da Abrasem, "quando aumentamos a produtividade evitamos a invasão de áreas de outras culturas".
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Roberto Tenório)