Governo segura o preço do trigo

08/02/2008

Governo segura o preço do trigo

 

O governo autorizou, na última quarta-feira, a importação de um milhão de toneladas de trigo fora do Mercosul e reduziu de 10% para zero o imposto de importação do produto. A medida tenta evitar a alta de preço, dada como certa em função da anunciada falta de trigo no mercado brasileiro. A decisão do governo trouxe alívio para os empresários da panificação e criou expectativa de redução no preço de produtos populares, como o pão.

Mas o vice-presidente da Associação da Indústria de Panificação (Abip), José Batista de Oliveira, descarta queda no preço.

Primeiro, porque a farinha de trigo representa apenas 30% do custo da produção do pão. Além disso, “o ganho com a redução da taxa vai ser anulado com o aumento do custo do transporte”, explica o vice-presidente.

O gestor se refere ao deslocamento geográfico do trigo que deve vir do Canadá. Além deste País, apenas os Estados Unidos possui produção com qualidade ideal para produção de pão, garante José Batista.

O gerente de abastecimento de trigo da J.Macêdo, Irineu José Pedrollo, afirma que a retirada do imposto de importação faz com que o trigo americano, canadense ou europeu chegue à Bahia por USD 60 (R$ 108) mais caro do que a tonelada argentina. Mas, se não houvesse a retirada do imposto, o adicional de custos seria superior a USD 100 (R$ 170).

Outro argumento do vicepresidente da Abip para que a população não aposte em queda no preço do pão é o histórico de reajustes que o setor já acumula desde dezembro de 2006. Segundo ele, as altas somaram 32%, considerando o período até dezembro do ano passado. “E as padarias não tiveram como repassar essa alta de preço”, frisa. Ainda assim, José Batista reforça que a medida não perde a validade.

“Vem em boa hora para trazer um pouco de segurança, garantindo o abastecimento e segurando a alta do pão”.

Irineu José, também salienta que outros itens além do trigo, (como arroz, milho e soja) estão com preços recordes. “Hoje o mundo todo está sofrendo as conseqüências da inflação dos alimentos. O trigo no mercado internacional mais que dobrou de preço nos últimos seis meses, e o impacto destes aumentos ainda não foi totalmente repassado aos consumidores”, diz.

A importação fora do Mercosul, de fato, era indispensável. De acordo com o Ministério da Agricultura, a safra nacional do período 2007/2008, colhida no segundo semestre do ano passado, foi de 3,8 milhões de toneladas, enquanto o consumo anual é de 10,2 milhões de toneladas. A diferença sempre foi suprida pelo trigo argentino.