Trigo argentino lota armazéns no Brasil
As diversas paralisações das exportações argentinas de trigo durante os últimos meses concentraram os embarques do produto e o resultado é que os armazéns dos moinhos e dos portos estão abarrotados de trigo. Estima-se que entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano tenham desembarcado entre 2,5 milhões e 3 milhões de toneladas do cereal no Brasil.
A situação pode comprometer o andamento da exportação de soja e milho, cuja colheita já iniciou no País. "Os silos estão ficando cheios, o que poderá pressionar o mercado de trigo quando começar a exportação de milho e soja", diz Lucílio Alves, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP).
Lawrence Pih, presidente do Moinho Pacífico, estima que 3 milhões de toneladas de trigo argentino já tenham entrado no País desde o final do ano passado e que ainda haja mais 300 mil toneladas para desembarcar até o dia 20 de janeiro, prazo máximo de entrega firmado nos contratos de exportação argentinos. "Os armazéns estão totalmente lotados, tanto os dos moinhos quanto dos portos. Empresas e tradings estão desesperadas atrás de espaço e procurando armazéns para alugar", relata Pih. Ele acredita que as importações de trigo poderia ser até maiores se não houvesse essa limitação na estocagem.
Luiz Martins, presidente do conselho deliberativo da Associação Brasileira das Indústrias de Trigo (Abitrigo), estima que 2,4 milhões de toneladas de trigo da Argentina já chegaram ao Brasil desde a liberação das exportações do vizinho, em novembro. Com mais 1 milhão de toneladas do produto liberados para importação de países de fora do Mercosul sem taxa, são 3,4 milhões de toneladas ofertados no mercado interno. Ele estima que em torno de 1,4 mil toneladas foram consumidos de janeiro até agora. O restante (2 milhões) são suficientes para dois meses e meio de consumo no Brasil. "Assim, dependemos do volume a ser exportado pela Argentina a partir de março. Se importamos 400 mil toneladas mensais, conseguiremos nos abastecer até 30 de junho, fim do prazo de importação sem taxa", diz Martins.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 6)(Fabiana Batista)