Insumos sustentam agroindústria
A produção agroindustrial do Brasil em 2007 cresceu 5%, impulsionado fortemente pela indústria de insumos agropecuários, sobretudo os agrícolas. O setor de máquinas para o campo, por exemplo, cresceu 49% em 2007, a maior expansão entre todos os segmentos.
Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicador de 2007 é o segundo maior resultado do setor desde que foi criada a série, em 1991. "O primeiro foi em 2004, quando a agroindústria cresceu 5,3%", compara Fernando Abritta, economista do instituto.
No geral, o setor de produtos industriais utilizados pela agricultura cresceu 15,1%, enquanto os da pecuária, 5,8%. Além das máquinas agrícolas, o aumento da produção de adubos (4,8%) ajudou a reforçar o indicador, juntamente com o grupo de inseticidas, herbicidas e outros defensivos que apresentaram forte alta, de 22,6%.
"O que vemos é basicamente a recuperação da agricultura que vem de taxa negativa em 2005. O desempenho de 2007 está em ótimo nível, sobretudo dos insumos para a agricultura que estão em taxas excepcionais", avalia Guilherme Dias, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP). Ele acrescenta que na pecuária a situação é relativamente ambígua. "A retomada não tão boa da pecuária tem relação com os embargos às carnes suínas do Brasil e a um mercado interno para proteína animal", diz.
Como apenas se refere a volumes produzidos - excluindo o valor de comercialização - o indicador do IBGE destoa da metodologia das entidades de classe. Para as rações, por exemplo, o instituto levantou expansão de 7,2% em 2007, enquanto o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) contabilizou expansão de 11%. Ariovaldo Zanni, diretor-executivo do sindicato, cita que na média, a avicultura cresceu 10% e a bovinocultura, 21%, o que puxou o indicador das rações. "Apesar de em termos absolutos, a bovinocultura de confinamento ser pequena, em consumo de rações esse segmento está expandindo. Na bovinocultura de corte o aumento foi de 35% e na de leite, 16%", informa. Para 2008, a perspectiva do setor de rações é de crescer entre 5% e 10%.
O IBGE identificou variação negativa de 0,6% para os produtos veterinários. Emílio Salani, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal. (Sindan), estranhou a estatística e afirma que em, vendas, o setor expandiu 8% em 2007. "Não temos estatísticas sobre volumes produzidos, mas a avaliação é de que aumentaram", diz Salani
Grãos e cana
As indústrias processadoras de produtos agrícolas cresceram 3,5% em produção no ano de 2007, com resultados positivos em seis dos oito subsetores pesquisados pelo IBGE. Na soja, o aumento foi de 5,5%; no milho, 12,9% e na cana-de-açúcar, 6,4%. "O fato de a soja estar com menor crescimento que a cana pode ser explicado, em parte, pela característica de a maior parte da soja brasileira ser exportada em grão, ou seja, não contabiliza para a agroindústria", esclarece Dias. A agroindústria da laranja também produziu mais em 2007, em torno de 13%, e a de arroz, 1,3%. Em sentido contrário estiveram a indústria de fumo (-4,7%) e trigo (-5,8%)- os únicos recuos.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 2)(Fabiana Batista)