Campo deve garantir superávit

13/02/2008

Campo deve garantir superávit


Mais uma vez a balança comercial do agronegócio vai impedir que o superávit comercial brasileiro não caia de forma acentuada. Estimativa da RC Consultores mostra que em 2008, a diferença entre as vendas e compras do País será de US$ 35 bilhões, enquanto o saldo do campo ficará em US$ 45 bilhões. Os números de janeiro já confirmam esta tendência: US$ 3,26 bilhões de saldo para o setor, enquanto o do Brasil é de R$ 940 milhões. Segundo dados divulgados ontem pelo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, balança comercial do agronegócio registrou, no mês passado, recordes históricos para o período: exportações de US$ 4,28 bilhões - crescimento de 12,1% em relação ao mesmo período de 2007 - e importações de US$ 1,02 bilhão - alta de 60,7%.
"A tendência é que as vendas cresçam entre 10% e 15% no ano", afirma o coordenador-geral de organização para exportação do ministério , Eliezer Lopes. As projeções do governo estão em linha com as da RC Consultores. Mas, segundo a consultoria, mais uma vez o incremento do superávit será menor, pois as importações crescem mais de 20%, impulsionadas pelo câmbio. "Neste ano, o destaque do agronegócio são as carnes, a soja, o açúcar e o café", afirma o economista Fábio Silveira, da RC Consultores. Segundo ele, a questão da União Européia (ver matéria acima) vai afetar as vendas de carnes, mas não a ponto de comprometer o crescimento. Ele acrescenta ainda que a tendência é que os preços da carne caiam no mercado mundial. "Os europeus não estão preocupados com a rastreabilidade, eles querem é pagar menos pela carne", acredita.
Assim como no início do ano passado, as vendas do complexo carne foram superiores às da soja. No final de 2007, no entanto, esta tendência se inverteu. Nos 12 meses do ano passado, segundo dados do ministério, foram exportados US$ 11,38 bilhões em soja e US$ 11,29 bilhões em carnes. Em janeiro, foram US$ 898 milhões em carnes, um acréscimo de 25,5%, e 678 milhões em soja, 94,6% a mais, na mesma comparação. "Como no final do ano a diferença entre os dois complexos ficou pequena, é difícil saber quem vai liderar as exportações neste ano", afirma Lopes.
Entre as proteínas animais, o ministério destaca as vendas de carne bovina in natura, que subiram 40%. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), as exportações total do setor somaram US$ 464,7 milhões, um aumento de 37%. No entanto, as remessas foram 8,7% menores, totalizando 124 mil toneladas. O secretário- executivo da associação, Antônio Camardelli, diz que a receita foi maior porque, com a oferta reduzida, o preço subiu.
O frango in natura também teve uma elevação importante (20,5%). Além disso, as vendas externas da carne de peru totalizaram US$ 33,3 milhões, 100,9% acima do valor exportado no primeiro mês de 2007. No entanto, a carne suína in natura registrou diminuição de 52, 8% nas exportações.
No complexo soja houve aumento tanto na quantidade (9%) quanto nos preços dos grãos (59,4%), o que resultou em um incremento de 73,8%, somando US$ 239,5 milhões. No caso do farelo, a variação foi de 26,2% (US$ 219,8 milhões), também resultado de preços e quantidades maiores.
Apesar do aumento nas vendas, o campo também comprou mais. De acordo com o levantamento do ministério, os principais responsáveis pelo incremento nas importações foram o trigo (alta de 111,9%, impulsionada por quantidade maior, mas também por cotações elevadas), o milho (aumento de 248,8%) e o arroz (variação de 124,7%). Destaque para o fato de as importações de trigo terem aumentado mesmo antes da redução da Tarifa Externa Comum (TEC).