País lidera expansão mundial dos transgênicos

14/02/2008

País lidera expansão mundial dos transgênicos

 

 

A liberação pelo Conselho Nacional de Biossegurança (CNB) para a utilização das sementes Geneticamente Modificadas (GM) do milho pode proporcionar uma economia para os produtores de cerca de R$180,00 por hectare a partir de 2009, o equivalente a cerca de 8% dos R$ 1.400,00 gastos em média por hectare.
O cálculo leva em consideração a um redução de gastos com inseticidas e a sua aplicação. De acordo com especialistas, isso pode ser decisivo para a adesão à nova tecnologia por parte dos produtores, mantendo um crescimento médio anual de mais de 20% da área plantada de transgênicos nos próximos dois anos.
Segundo um estudo mundial divulgado pelo Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), de 2006 para 2007, o Brasil liderou o crescimento das lavouras transgênicas no mundo, plantando cerca de 3,5 milhões de hectares a mais em relação ao ano anterior – cerca de 11,5 milhões de hectares. Logo em seguida estão os Estados Unidos e a Índia, com 3,1 e 2,4 milhões de hectares respectivamente. Para Anderson Galvão, Diretor do ISAAA no Brasil, "o fato da apliacação dessa biotecnologia ter crescido em países considerados emergentes revela a viabilidade financeira da tecnologia", explica.
O Estado brasileiro que possui a maior lavoura de OGMs é o Rio Grande do Sul, com cerca de 98% da sua produção de soja transgênica. "A grande vantagem dos transgênicos é a praticidade no cultivo das lavouras. Com a redução das aplicações dos inseticidas, os produtores têm menos trabalho para conseguir manter em ordem a plantação", revela Alencar Paulo Rugeri, Analista da Emater/RS. Segundo ele, só seria interessante para o produtor plantar soja convencional caso o mercado pudesse remunerar bem, "mas como os preços para a oleaginosa aqui no Sul são baixos, eles não vêem vantagem alguma", arremata.
E é exatamente essa a expectativa que os produtores de sementes têm em relação à nova tecnologia liberada para o milho. Com a redução das aplicações dos defensivos, os agricultores tendem a adotar a tecnologia para minimizar as perdas. "As sementes devem passar agora pela análise de Valor de Cultivo e Uso (VCU) no Ministério da Agricultura. Só após passar por essa burocracia, as sementes serão liberadas", diz Cássio Cruz de Camargo, secretário executivo da Associação Paulista dos Produtores de Sementes (Apps). De acordo com ele, existe um esforço das empresas para que as sementes cheguem ao mercado em outubro, mas é certo que elas estarão disponíveis a partir da safrinha, em 2009.
Camargo diz ainda que o milho resistente a insetos tem uma produtividade 13% maior do que o convencional, e que a grande vantagem é a economia na aplicação dos inseticidas.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 6)(Roberto Tenório)