Mais que salmão: agora é bijupirá
A inauguração hoje do Laboratório Nacional de Aqüicultura Marinha (Lanam), em Ilha Comprida, no litoral paulista, pelo ministro da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República (Seap/PR), Altemir Gregolin, marca o início do desenvolvimento da cadeia produtiva do Bijupirá (Rachycentron canadum), espécie nativa conhecida internacionalmente como Cobia, que promete revolucionar o cultivo de pescados no Brasil.
O laboratório, onde foram investidos R$ 3 milhões para a produção de alevinos, vem no rastro da regulamentação da cessão de áreas da União para a aqüicultura marinha no final de 2007, e o lançamento de um edital para o cultivo da espécie no mar, em janeiro passado, para Pernambuco.
Em março, segundo o ministro, a Seap dará títulos de cessão de áreas para cultivo por até 20 anos. "A cadeia do bijupirá é a nossa aposta na aqüicultura marinha e será a mais importante do País. A cessão de áreas, o laboratório e uma política de crédito vão impulsionar a produção e podemos nos tornar grandes produtores mundiais", afirma Gregolin, adiantando que o BNDES está discutindo uma matriz de crédito para a aqüicultura, destinada a grandes e pequenos produtores.
O bijupirá é apontado como o salmão brasileiro em uma alusão ao sucesso da produção dessa espécie no Chile. Mas segundo especialistas, por ser de carne branca, tem valor de mercado até três vezes maior que o salmão na Europa e nos Estados Unidos. Para o empresário Inaldo Pinto dos Santos, da TWB, que começa investindo R$ 30 milhões na produção de bijupirá em São Paulo e na Bahia, é uma injustiça comparar o peixe ao salmão, responsável pelo desenvolvimento de uma forte cadeia no Chile. "Temos um mercado maior com preço melhor. Não é justo dizer que o bijupirá é o salmão brasileiro. É muito melhor", afirma.
Segundo a Seap, no mercado internacional, o preço é de U$ 9,00/kg inteiro fresco e, acima de U$18,00 para filé. No Brasil o bijupirá é comercializado por R$13,00/kg inteiro fresco ou posta, na Bahia, e R$18,00 no litoral norte do RJ.
Para Altemir Gregolin, a produção nacional de 1 milhão de toneladas de pescado, em 2005, pode chegar a 20 milhões nas próximas três décadas. A aqüicultura, de acordo com o Ibama, em 2006, atingiu 271,6 mil toneladas e um aumento de 5,4% no Brasil, depois das quedas de 3%, em 2004 e de 5,4% em 2005.
Mercado não falta, considerando a redução do consumo de carnes vermelhas e o aumento das brancas, e as perspectivas da FAO de que o atual consumo per capita de pescados pode passar de 16 kg/ano para 22,5 kg em 2030, o Brasil tem um mar de oportunidades. E a TWB pretende nadar de braçadas. A empresa planeja, nos próximos quatro anos, investir R$ 500 milhões na produção do bijupirá, começando em São Paulo com um volume de 5 mil toneladas ano. Daqui há quatro meses a empresa inicia a produção na Bahia, onde chegará a 95 mil toneladas anuais, totalizando 100 mil toneladas daqui a cinco anos.
O investimento partiu da aquisição de um pacote tecnológico para produção da espécie criado pela Universidade de Miami (EUA) e já implantado no Golfo do México. "O pacote vai do ovo ao mercado, orientando desde a produção de alevinos, à criação e preparação para o mercado. Pretendemos atingir uma produção de 1 milhão a 2 milhões de toneladas, seja por integração de produtores ou cooperativas", diz Inaldo Pinto dos Santos, parceiro tecnológico do Lanam.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 6)(Etiene Ramos)