Mercado retorna ao nível anterior ao embargo europeu

15/02/2008

Mercado retorna ao nível anterior ao embargo europeu


Depois do susto provocado pelo embargo da União Européia à carne bovina, o preço do boi gordo voltou as patamares anteriores ao contencioso com os europeus. Ontem, a arroba era avaliada a cerca de R$ 75,54 em São Paulo, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), ou seja, nos mesmos níveis anteriores às restrições. Em alguns estados, quando do anúncio de suspensão de compras dos europeus, os preços chegaram a cair até 15% na última semana de janeiro.
"Os fatores, por mais fortes que sejam, não conseguem derrubar o preço", diz o diretor da AgraFNP, José Vicente Ferraz. No entanto, segundo ele, como há falta de oferta, talvez sem os problemas europeus, a cotação estivesse nos níveis de R$ 80. A escassez de gado e o problema nas exportações deixou os frigoríficos com escalas pequenas, inferiores a uma semana. Ferraz disse que no Triângulo Mineiro as indústrias tiveram de aumentar de um dia para outro em R$ 5 a arroba para conseguir animais para o abate. O pesquisador do Cepea/USP, Sérgio de Zem, explica que apesar de a Europa representar 3% do total abatido no País, aquele mercado representa 33% da receita total com exportação e 16% do volume. Por isso, este volume adicional ao mercado interno não traz problemas, mas sim às indústrias, que perdem dinheiro. "Assim, o frigorífico é obrigada a aumentar o preço de venda da carne ou parar de abater".
De acordo com o Cepea/USP, entre 1 e 13 de fevereiro, o boi gordo negociado a prazo em São Paulo subiu 1,42% No mercado atacadista, o corte traseiro valorizou-se 3%, enquanto o dianteiro, 9,5%. Zem lembra que o País está na chamada safra da carne - quando as chuvas aumentam a pastagem disponível para os animais - e que, normalmente, nesta época do ano, o preço do boi gordo cai. No entanto, diante das circunstâncias de oferta restrita - pois a cadeia está em um ciclo com menor disponibilidade de animais, devido ao abate de fêmeas ocorrido nos últimos anos - as cotações estão mais elevadas.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 6)(Neila BaldiSão Paulo)