Iniciado plano para o biodiesel
Uma das principais metas do governo Lula, a implantação do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, do qual participarão quase todos municípios localizados no semiaacute;rido nordestino, começou a ser realizada no sudoeste da Bahia ontem.
Na primeira fase do programa, que vai até o mês de setembro, cerca de 4 mil agricultores familiares de 24 cidades serão cadastrados e receberão sementes de mamona e girassol, matériasprimas do biodiesel.
Um plano de ação do biodiesel para a região foi elaborado numa reunião realizada em Vitória da Conquista (a 509 km de Salvador), da qual participaram a Petrobras, a Prefeitura, a Cooperativa Mista Agropecuária dos Pequenos Agricultores do Sudoeste da Bahia (Coopasub), a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), além de representantes de movimentos sociais. Logo depois do cadastramento, serão feitos contratos coletivos por meio das cooperativas.
O presidente da Coopasub, Izaltiene Rodrigues, disse que cada pequeno agricultor deverá fazer o plantio em dois hectares de terra.
Rodrigues informou que alguns produtores de municípios como BomJesus da Serra e Belo Campo já começaram a plantar mamona em meio hectare e estão com boa produção. “É sinal de que aqui vale a pena”, disse.
Uma das consultoras da Petrobras que estiveram em Vitória da Conquista, Lia Santana, afirmou que a região sudoeste, onde 80% da população é rural, possui grande potencial para o plantio de mamona e girassol.
“Feito o cadastramento, o plano é se organizar para a próxima safra, pois o período do plantio da mamona é entre novembro e dezembro. Vamos doar sementes certificadas da mamona e do girassol”, disse a consultora, informando, depois, que a estatal atuará também como compradora de grãos. A Petrobras tem meta de fazer 40 mil contratos com agricultores familiares.
EMPREGOS A cadeia produtiva do biodiesel tem grande potencial de geração de empregos, isso porque trabalha dentro de uma perspectiva de atuação junto à agricultura familiar. No semiaacute;rido brasileiro, por exemplo, a renda anual líquida de uma família, a partir do cultivo de cinco hectares com mamona e uma produção média entre 700 e 1,2 mil quilos por hectare, pode variar entre R$ 2,5 mil e R$ 3,5 mil, somando a isso o fato de a área poder abrigar outras culturas, como feijão e milho. O presidente da Associação de Agricultores Familiares das Comunidades Quilombola e de Oiteiro e Região, Edson Gonçalves, informou que os agricultores pensam em diversificar a cultura com mamona e girassol. “Esse programa do biodiesel é bom, pelo que fiquei sabendo, porque o governo vai dar sementes e comprar os grãos”, disse.
Além da mamona e do girassol, outra oleaginosa que será plantada no semiaacute;rido baiano é o pinhão manso, um arbusto cujo fruto é uma cápsula com três sementes escuras, lisas, dentro das quais se encontra uma amêndoa branca, tenra e rica em óleo. O pesquisador e gerente regional da EBDA, Roberto Costa, disse que o pinhão manso está sendo pesquisado, e que já apresentou um ponto positivo: é perene. “É uma planta resistente à seca. Vamos introduzi-la no semiárido para ver como ela se comporta e, a partir daí, ver a possibilidade de fazer parte do programa do biodiesel”, informou Roberto Costa.
Os agricultores familiares que participarem do Programa Nacional do Biodiesel também terão acesso a linhas de crédito do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), por meio dos bancos do Nordeste e do Brasil, assim como acesso à assistência técnica, com apoio do Ministério de Desenvolvimento Agrícola, de parceiros públicos e privados.