Seca deixa 58 municípios em situação de emergência
Semi-árido é a região mais castigada, mas efeitos da estiagem já causam reflexos em Salvador
Cinqüenta e oito municípios baianos encontram-se em situação de emergência, decretada pelo governo do estado, por conta do longo período de estiagem. A região mais castigada pela seca é a do semi-árido, onde moradores da zona rural sofrem com a mortandade de animais e a falta de plantio. A situação beira o caos na maioria das cidades que estão sem assistência do governo. Do total de municípios atingidos, apenas 13 assinaram convênio com a Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado (Sedes) para receber verbas para aluguel de carros-pipas. O fenômeno da estiagem também já está causando reflexos em Salvador.
A Embasa garante que, por enquanto, a situação está sob controle, mas afirma que o estado na capital é de alerta por conta da baixa do nível de reserva das barragens Joanes I e II. A empresa já está adotando medidas emergenciais para impedir o desabastecimento e alerta para a necessidade de combate ao desperdício. A situação é preocupante nos municípios de Lamarão, Valente, Cícero Dantas, São Domingos, Monte Santo, Teofilândia, Araci, Retirolândia, entre outros.
No município de Lamarão, a 177 km de Salvador, a situação já chegou ao caos. Segundo o prefeito, Arivaldo dos Anjos Damião, a região não possui poços subterrâneos (poços artesianos) e todos os reservatórios estão completamente vazios. O açude de Quiji, o maior fornecedor de água da região, está com nível muito baixo e já não atende a demanda dos moradores.
O prefeito afirma que o estado homologou situação de emergência desde dezembro do ano passado, mas até hoje o convênio não foi formalizado e nenhuma ajuda financeira foi repassada. Por conta disso, a prefeitura gasta todos os dias, em média, R$600 para abastecer as comunidades da zona rural, que corresponde a 80% dos cerca de 12 mil habitantes do local. “Estamos vivendo um momento terrível. A zona rural não tem água encanada e a população está passando necessidade. Precisamos de cestas básicas e de carros-pipas urgente”, afirmou o perfeito.
Situação dramática - Sem perspectiva de plantio e com a morte de animais, os moradores da zona rural estão passando situação dramática. “Os moradores estão bebendo água barrenta e nossos animais estão morrendo”, lamentou o assessor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lamarão, Carlos Miranda. Ele afirma que o município é um dos menos favorecidos da região porque não conta com hospitais, nem agências bancárias.
No município de Valente, distante 238km de Salvador, o caos se repete. De acordo com o prefeito, Ubaldino de Oliveira, não chove no local desde maio do ano passado. Cerca de duas mil cabeças de gado já morreram por conta da seca. O plantio de sisal está completamente parado e as famílias estão deixando o município para trabalhar em outras cidades e estados. De acordo com Oliveira, o município gasta diariamente cerca de R$1,5 mil para abastecimento dos moradores da zona rural, que corresponde a mais de 50% dos cerca de 22 mil moradores.
Ele também aguarda o recebimento da verba do governo estadual para aluguel de carros-pipas. “O comércio está completamente prejudicado. Os moradores estão passando necessidade e muitos estão migrando para outras regiões para trabalhar em condições subumanas. Gostaria que o governo criasse frentes de trabalho para que as pessoas carentes tivessem oportunidades de emprego aqui”, desabafou.
Segundo a assessoria de imprensa da Sedes, estão sendo destinados aos municípios conveniados R$13,6 mil para aluguel de carros-pipas. O órgão afirmou ainda que muitos municípios ainda não conseguiram firmar convênio com o estado porque não encaminham os documentos necessários para formalização dos trâmites legais. A assessoria informou ainda que já solicitou cestas básicas da Secretaria Nacional de Defesa Civil.