Simpósio discutirá mercado
A expectativa quanto à escassez de café em 2008 também está entre os assuntos que deverão pautar o 9° Simpósio Nacional do Agronegócio Café (Agrocafé), evento que será realizado em Salvador, entre os dias 3 e 5 de março. Além da questão da regularidade na oferta do artigo, o congresso vai discutir ainda o cenário de contrastes que tem conduzido o mercado nacional nos últimos anos.
Segundo o presidente da Assocafé, Silvio Luís Leite, apesar da elevada cotação internacional no preço do produto, a baixa rentabilidade continua tirando o sono dos produtores baianos. “A saca de 60kg custa hoje entre R$280 e R$290, um crescimento médio de 30% nos últimos quatro anos. Ou seja, nunca vendemos com um valor tão bom. Entretanto, o lucro do produtor continua reduzido, ficando em cerca de R$20 por saca”, reclama.
Entre os motivos para esse baixo rendimento, está a valorização do real frente ao dólar e o aumento no custo com os insumos. “A moeda americana, por exemplo, bateu ontem um novo recorde de baixa, chegando a R$1,70. Já os custos com fertilizantes, defensivos, óleo diesel, energia, salário mínimo, entre outros, subiram 100% nos últimos três anos”, avalia. Para o presidente de honra da entidade e coordenador geral do simpósio, João Lopes, a esperança agora é que um novo aumento na cotação internacional do artigo possa fomentar a rentabilidade dos produtores ainda este ano. “Essa é a nossa aposta, já que a situação cambial não deverá mudar muito”, comenta.
Apesar das reclamações, o segmento local vem acumulando um desempenho positivo ao longo dos anos. De acordo com informações da Associação, a Bahia é praticamente a única produtora de café no Nordeste, tendo aumentado nos últimos quatro anos suas exportações de 40 mil para 400 mil sacas. “Esse número pode crescer, pois temos uma parte da produção sendo escoada por portos de outros estados, como o de Santos, por exemplo”, revela João. Com dez mil produtores no estado, a cadeia local é responsável hoje pela geração de mais de cem mil postos de trabalho.
Conforme dados da entidade, o Brasil é o maior produtor e exportador de café, com vendas externas estimadas em US$3,5 bilhões durante o exercício de 2007 – um incremento de 10% frente ao balanço de 2006. “O país detém cerca de 30% do mercado mundial, mas essa participação vem aumentando, pois já foi recentemente de 21%”, conclui Lopes.