Peixes voltam a aparecer mortos no Dique do Tororó

25/02/2008

Peixes voltam a aparecer mortos no Dique do Tororó 
  
   
 

Pelo menos 70 peixes amanheceram mortos hoje no Dique do Tororó. Carpas e principalmente tilápias estavam boiando, para a surpresa de quem fazia a caminhada da manhã nas ruas que ficam fechadas aos domingos para o Projeto Dia de Lazer, promovido pela prefeitura. A falta de oxigenação é uma das possíveis causas da mortandade que invariavelmente acontece no local. A população de peixes do Dique é formada também por tucunarés, tambaquis e até surubins.


Passava das 9h quando o coordenador administrativo Telmo Gomes desceu a Ladeira do Sapoti, no Engelho Velho de Brotas, onde mora, para o seu passeio. E logo percebeu que algumas espécies estavam mortas. “Mas quando cheguei do outro lado, em frente ao Apaches do Tororó, é que vi a coisa feia”, diz ele, referindo-se à maior concentração de peixes mortos próximo à sede do bloco de Carnaval.


Um barquinho azul e vermelho, metálico, já fazia a coleta dos animais. Nele, o responsável pela limpeza diária no Dique, Pedro Celestino, 55 anos, dizia já estar acostumado com a mortandade. “É sempre assim no Verão”, afirmava, enquanto pegava sacos de plástico com pequena rede, próximo às esculturas que representam os orixás. Os peixes, depois de recolhidos, foram entregues ao caminhão de lixo para descarte.


Incidência - A experiência do homem que desde os 11 anos já pescava no Dique revela o segredo do espelho d’água de 110 mil metros quadrados. De acordo com Celestino, nas proximidades das esculturas, onde a profundidade alcança aproximadamente 5m – a maior do Dique – não há ocorrência. É em frente à sede dos Apaches, onde o fundo não ultrapassa 2m, o local da alta incidência. “É peixe demais para pouca água”, afirma.


A água em tom esverdeado também chamava a atenção do homem da limpeza. De acordo com Atílio Sierra, técnico do Centro de Recursos Ambientais (CRA), o fenômeno é conhecido como eutrofização, provocado pelo excesso de nutrientes devido à descarga de dejetos, o que leva à proliferação das algas. “Elas tiram o oxigênio da água e é verdade, sim, que as temperaturas mais altas ajudam o aparecimento do fenômeno”, diz, corroborando com a sabedoria popular.


Os pescadores do Dique acreditam também que as bombas de oxigenação do local, quando não estão funcionando – o que não era o caso ontem – forçam os peixes a subir para a superfície. “Aqui a água é parada e sem as bombas eles ficam sufocados, precisam respirar nas bordas”, afirmava Gilson Trindade, morador do bairro, que pescava próximo ao restaurante A Porteira.


Produtos usualmente utilizados nos chamados despachos do candomblé também fazem parte da coleta diária de  Pedro Celestino. Há algumas semanas, um bode foi pego no trecho próximo ao Largo dos Barris, perto da saída das águas da chuva. Charutos e pratos de cerâmica também são normalmente encontrados. “Ah, isso é antigo, é da tradição daqui”, afirma. Mas, apesar dos problemas que levam à morte dos peixes e à sujeira, a fartura é grande no lugar. “Você precisava ver um tambaqui de 54kg que o pessoal pegou aqui”, diz, já se despedindo para continuar o recolhimento do lixo.