Produtores do extremo sul buscam soluções para manter exportação

25/02/2008

Produtores do extremo sul buscam soluções para manter exportação

 

Correr atrás de novos mercados e manter a qualidade do produto têm garantido ao grupo Bello Fruit, empresa de produção e comercialização de mamão golden, de Mucuri, extremo sul do Estado, um preço de venda bem acima do preço de mercado, uma média de R$ 1,80 o quilo, enquanto o mamão havaí está sendo vendido a uma média entre R$ 0,20 a R$ 0,40 o quilo e o mamão formosa bem abaixo disso, de R$ 0,10 a R$ 0,15 o quilo.

Em janeiro, o volume disponível da fruta esteve restrito, pois o clima quente e seco registrado em meados de outubro de 2007 causou o abortamento das flores.

Além disso, havia um grande número de roças em final de produção no último mês. Por conta da menor oferta, o mamão havaí tipo 12-18 foi comercializado nas lavouras do Espírito Santo a R$ 0,63 o quilo em janeiro – alta de 57,5% sobre dezembro de 2007.

Em comparação com janeiro do último ano, a alta foi ainda maior, de 142%, devido à melhor qualidade da fruta em 2008. No sul da Bahia, a fruta foi vendida em janeiro a R$ 0,63 o quilo, em média, e, no oeste, a R$ 0,78/kg, cerca de 67,4% e 100%, respectivamente, superiores aos praticados em dezembro de 2007.

EXPORTAÇÃO – Também contrariando a tendência do mercado, onde, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), houve uma queda na exportação do mamão devido ao câmbio, o diretor da Bello Fruit, Ulisses Brandimi, permanece exportando mamão para a União Européia e Estados Unidos.

“Houve uma redução na exportação em relação ao ano passado e o valor do câmbio não sofreu alteração, mas acredito que o mercado externo se recupere”, aposta Brandimi, que revelou ter revisto os custos e feito um novo planejamento de produção para manter a exportação do mamão, diferentemente do grupo Lembranci, de Eunápolis, que, desde 2004, deixou de exportar o fruto.

A Bello Fruit está exportando golden ao preço de US$ 1,40/kg.

No porto de Atlanta, o mamão tipo solo variedade red flesh foi comercializado em média a US$ 16,75 a caixa de 3,5 kg de 8 a 21 de janeiro, valor semelhante ao registrado de 25 de dezembro de 2007 a 7 de janeiro de 2008, segundo o Serviço de Comercialização Agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (AMS-USDA).

QUALIDADE DO FRUTO – De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume total de mamão exportado em 2007 foi 2% inferior ao embarcado em 2006. Os principais entraves à exportação no último ano foram oferta reduzida e, principalmente, falta de frutos com qualidade suficiente para atender às exigências dos EUA e da Europa. Ulisses Brandimi revela que em 2007 chegou a exportar 15 toneladas do fruto por semana, e hoje exporta uma média de quatro toneladas/semana e tem buscado novos mercados internos para suprir a perda.

A inclusão dos EUA como importador da fruta do sul da Bahia em 2007 resultou em aumento de 3% no volume embarcado àquele país em relação a 2006. Em contrapartida, o envio para a UE diminuiu cerca de 19%, de acordo com dados da Secex.

O diretor da Bello Fruit, além apostar no mercado externo, tem ampliado o interno para o sul do País, onde garante que há uma carência muito grande do fruto.

E vem de lá empresa que possui uma área de 120 ha d0e mamão formosa, na fazenda Santa Cruz, de Eunápolis.

A Mamão Acácio, de Londrina, mantém uma produção média de oito cargas de mamão por semana (cerca de 100 kg/semana) e pretende ampliar o plantio a partir deste ano. “Devemos chegar a uma área de 180 hectares”, disse Erenildo Andrade de Jesus, gerente da fazenda.

O segredo para conseguir manter a produção, apesar do baixo preço do fruto no mercado, frisa, é produzir e comercializar, evitando atravessadores.

ROÇAS NOVAS – Segundo produtores de mamão formosa, a oferta da variedade deverá aumentar com o início da produção das roças novas no Espírito Santo e Bahia. Em janeiro, mesmo com baixa oferta e a boa qualidade, a redução nas vendas desvalorizou a fruta.

No Espírito Santo, a variedade foi comercializada a R$ 0,27/kg, na média de janeiro; no sul da Bahia, a R$ 0,29/kg. Esses valores são 10% e 93%, respectivamente, inferiores aos praticados em dezembro de 2007. No oeste da Bahia, por outro lado, a fruta valorizou cerca de 20%, comercializada a R$ 0,41/kg em janeiro.

Em todas as regiões, o preço da fruta ficou acima do mínimo necessário para cobrir os gastos com a cultura, que, segundo produtores, é de R$ 0,22 o quilo.